COOL Standby

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março
14
Histórias sobre mim

Por Cristina Amaro

Arrumei as pastas. A de pivot do Imagens de Marca. A de diretora editorial. A de CEO da I´M in Motion. A de presidente da Empower Brands Community e do Advisory Board do IM. A de filha de uma mamã de 81 anos que muito depende de mim, de dona de casa, de um cão e de uma empresa...entre tantas outras. Coloquei em todas um post it a dizer "Regresso a 20 de Abril".

Sei que grande parte das pessoas que me veem, todas as semanas, no écran da SIC Notícias, pensam que sou apenas a apresentadora do Imagens de Marca. Tenho uma vida simples, glamorosa, cheia de bons momentos... Tudo isso é verdade, mas falta o resto que é o mais exigente. O mais desgastante. O que mais gera stress, obriga a responsabilidades, obrigações e preocupações e faz da minha vida algo permanentemente exposto ao stress.

Seguramente que foi por ter tantas pastas na minha mão, que tive de colocar a placa a dizer “volto já”.

Decidi partilhar convosco o que me aconteceu, inesperadamente, nos últimos meses. Não só porque quem me recebe em casa todas as semanas ou sempre que pode, o merece, como também porque quero, com o meu exemplo, contribuir para que outros evitem ouvir o que ouvi de 4 médicos diferentes antes de dizer que estava na hora de parar. Numa palavra: burnout.

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Sim. Entrei em burnout. E sim, decidi tornar público o que me aconteceu. Sem medos nem preconceitos. Como dois queridos Advisors do Imagens de Marca já me disseram, perante a minha necessidade de alterar agendas de trabalho, “que bom que é querer partilhar e que bom que é estar consciente”. Sim. É verdade. Eu senti necessidade de partilhar tanto quanto senti necessidade de pedir ajuda. É normal nestes casos as pessoas se isolarem. Se sentirem sozinhas. Não quererem sequer falar. Eu própria já estive nesse patamar. Mas felizmente percebi que tinha de sair dele. Tinha de ir à procura de respostas para um problema que não tinha ideia afetar tantos portugueses.

Sabiam que 13,7% das pessoas ativas em Portugal estavam em burnout em 2016? E que mais de 80% estavam em risco elevado de entrar em burnout?

Os números são assustadores. E por isso merecem que não se usem nomes fictícios para dizer cuidado! Muita atenção aos sintomas. Muita atenção aos alertas. Muito foco nos sinais... infelizmente eu fiz check a todos eles.

Ainda estou a habituar-me a este “monstro” que me obrigou a parar de um dia para o outro. Ainda estou a habituar-me à ideia que tenho de mudar muita coisa na minha vida. Mas, sinceramente? Irei fazê-lo!

Depois de 3 desmaios em menos de 2 meses, de dores diárias e insuportáveis em todo o corpo, de noites com menos de 4 horas de sono, de problemas de memória (quando a minha toda a vida foi de elefante!), de momentos de desespero por não perceber o que me estava a acontecer e não conseguir ter controlo sobre o meu próprio corpo, de chegar ao ponto de sentir que não era eu que estava a viver dentro de mim mesma...não há mais perguntas a fazer...é agir!

Os resultados dos exames médicos confirmaram altos níveis de stress e estava mais do que na hora de parar. Antes que o corpo me parasse de vez...

O meu corpo e a minha mente cederam por exaustão. E só posso estar grata por ainda cá estar... Este problema da sociedade que hoje vive permanentemente ligada tem de ser encarado de outra forma. Por nós. Por cada um de nós. Temos de nos disciplinar e estar alerta a todo o momento de forma a não cedermos com a pressão que exercermos sobre nós próprios.

Mas também pelos responsáveis pelas equipas e pelas empresas, como eu também sou, para que se respeitem as pausas, os períodos de descanso, os fins de semana e as necessidades dos seus colaboradores pararem quando precisam de parar.

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Quando procurei as repostas e os novos caminhos, foi-me sugerido que fizesse 1 mês de retiro espiritual. Ou que fizesse o que mais gosto de fazer...que voltasse à infância e trouxesse de novo para a minha vida o que mais me divertia.

A ideia de um cool standby agradou-me e fez-me sorrir. É isso mesmo que preciso. De parar para descansar. Para dormir. Para fazer o que mais gosto, ao meu ritmo. O burnout cura-se com descanso. Com diversão. Mergulhados em nós próprios ou junto das pessoas que mais gostamos mas afastados de todas as fontes de stress. De todas as obrigações, responsabilidades e preocupações. Afastados das tecnologias que nos afastam de nós próprios. Longe de tudo que nos gera pressão. Cura-se com tempo.

O burnout é um problema reversível, quando parado a tempo e eu estou a oferecer esse tempo a mim mesma! Esse tempo que se torna afinal no bem mais precioso da minha vida...e da vida de todos nós! Paremos para pensar no que fazemos a nós próprios, todos os dias. Liguemos os botões de alerta para que o tempo não nos pare sem termos tempo de agir...

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Está na nossa mão. Depende de nós escolhermos o sorriso ou a tristeza. E eu prometo que não vou perder o meu. Está feita a minha escolha e por isso vou estar mais afastada de todos vós, do meu trabalho e do meu dia a dia nas próximas semanas. Gravei o Imagens de Marca já em período de repouso porque para mim este é um momento de relaxamento e não só de trabalho. Mas vou precisar de sair do burnout e de entrar num #coolstandby que espero possa ser inspirador.

Sugiro que sigam este # nas redes sociais. Sem obrigações. Sem pressões. Apenas pelo prazer da partilha de coisas que gosto, de locais que visito, de pessoas que conheço... E a escrita, sorte a minha, sempre foi um anti-stress...não será difícil fazer dela um aliado na minha recuperação. Vemo-nos em breve. Aqui e na SIC Notícias.

Para já convido-vos a viver a experiência dos primeiros dias de pausa. Uma experiência mágica num local onde a magia acontece...o meu querido Vilalara Thalassa Resort, neste que é o sol único do Algarve. Segunda feira estará aqui à vossa espera. Novo texto. Novas histórias. Até já!


Sentir a vida