Cristina Amaro
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Solitude, um estado de autoconhecimento

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A vida

Solitude, um estado de autoconhecimento

Convidei o César para nos ajudar a crescer como pessoas. Para nos ajudar a criar um movimento transformador neste espaço onde também teremos outras pessoas transformadoras. A inspiração e o saber são chave para esse objetivo. O César vai trazer esse saber através dos livros. Desafie-se a melhorar e a desenvolver-se a si mesma(o). Há um mundo novo à nossa espera quando nos conhecemos a nós próprios… Espero que vos seja útil cada livro e cada conselho. Boas leituras. Cristina Amaro

Por mais coisas que façamos há sempre um vazio que teima em não desaparecer. Um espaço em branco que sentimos e que, não sabendo bem porquê, nos “obriga” a dizer sim a mais uma e outra tarefa, mesmo que isto signifique continuarmos a não termos tempo para nós próprios. Queixamo-nos do tempo que não temos, mas aceitamos quase de ânimo leve o fato de não vivermos verdadeiramente o tempo que temos.

Temos dificuldade em viver a solitude. Em estarmos em silêncio construtivo, num lugar de introspeção, autoconhecimento e de amor-próprio. 

Por que razão, afinal, inventamos as mais assombrosas desculpas para não dedicarmos tempo a nós próprios? O que receamos? Confronto interno? Solidão? Que o mundo acabe? Que a oportunidade pela qual esperávamos apareça no preciso momento em que não a podemos agarrar?

Os problemas até nos dão jeito. É uma frase dura, cruel. Mas a verdade é que, enquanto arranjamos formas de desviarmos a atenção do que verdadeiramente importa, lá vamos vivendo uma vida pseudo-equilibrada. Uma falsa normalidade que nos vai garantindo, bem ou mal, uma vida social e estruturalmente correta. Mas isto não chega.

Mais cedo ou mais tarde o que está dentro não nos perdoa e manifesta-se. O dentro onde vivem os nossos fantasmas, os nossos medos, as nossas mais sombrias características, o nosso acarinhado caos, mas também, e por ironia do destino ou por mero sarcasmo da vida, o nosso esplendor.

É preciso irmos mais fundo do que vamos. É necessário cavarmos para que o ouro, o nosso ouro, se revele. É fundamental viajarmos para dentro da mesma forma que o fazemos para fora.

Uma viagem interior não se faz à boleia dos olhos que veem, mas dos olhos que reparam. O silêncio interno não se encontra na ausência de som, mas na arte de escutar, mesmo por entre o ruído, o que a nossa alma fala. E isto implica escolher estar em solitude, em paz. Num silêncio que nos expande para dentro. No arriscar encontrar dentro de nós o que gostamos e o que não gostamos. 

Se pretendes mesmo que a tua vida tenha sentido terás de te autoconhecer. De obter o máximo de informação acerca de ti próprio.

Não existe luz mais bela do que a luz do autoconhecimento. Uma luz que nos desconstrói por fora para que possamos encontrar-nos por dentro. Uma candeia que nos leva pelos túneis ocultos do nosso ser. Um holofote íntimo que nos coloca frente a frente com a nossa essência.

Vivermos em nós próprios requer audácia, coragem e, acima de tudo, deixarmos cair a armadura que forjámos à medida das nossas aparências. Adornamo-nos de coisas para que o nosso eu brilhante, a nossa simplicidade de ser, não brote. E esta espécie de nudez é quem nós somos. De verdade. Sem filtros. Sem truques. Apenas nós.

As decisões que tomamos ao longo da vida ensinam-nos uma simples coisa: que os resultados não mentem. Que tudo o que fazemos, pensamos e sentimos tem efeito no modo como atualmente vivemos. Somos arquitetos da nossa vida por mais que esta responsabilidade nos assuste. Se estamos onde estamos é porque contribuímos para isso.

O estado de solitude é um estado de autoconhecimento. Um estado em que nos escutamos e nos despimos do supérfluo. E, para isto, temos de largar muitas das pedras que transportamos quer na nossa mente, quer no nosso coração.

Para que inicies esta viagem interior retirando a armadura que possas carregar, sugiro-te a leitura de dois dos livros que mais me ensinaram acerca da solitude e do autoconhecimento. Foram livros que não só me deram a leveza que necessitava para caminhar, mas que também me fizeram acreditar que o ouro que tinha dentro de mim só estava à espera de ser descoberto.

“O cavaleiro da armadura enferrujada” de Robert Fisher

Este magnífico livro é um dos contos mais lidos de sempre. Tanto para jovens como para adultos, retrata a estória de um cavaleiro que, para se encontrar a si mesmo, aceita viver uma jornada de transformação pessoal em que o conhecimento, a coragem e o silêncio desempenham um papel fundamental.

Robert Fisher foi autor e coautor de mais de 400 programas de rádio na área da comédia, carreira esta que iniciou aos 19 anos escrevendo para grandes comediantes que ficaram para a história, como Groucho Marx, Lucille Ball e Bob Hope. “O cavaleiro da armadura enferrujada” foi o seu primeiro livro de desenvolvimento pessoal, um dos livros mais lidos nesta área e que continua a mudar muitas vidas em todo o mundo.

“Siddhartha: um poema indiano” de Hermann Hesse

O que nos pode levar a dizer não a uma vida luxuosa e cheia de coisas? Que caminho escolher para que a nossa vida seja plena e coerente? Estas são apenas algumas das questões que Siddhartha coloca a si próprio para embarcar na viagem da sua vida. Uma viagem em que o fluir e o silêncio são janelas para o autoconhecimento.

Hermann Hesse é um dos romancistas e poetas alemães de maior renome mundial. Autor de várias obras esplêndidas como é o caso de “Demian“ e “O lobo das Estepes”, foi consagrado com o prémio Nobel da Literatura em 1946.

Desejo-te que, através da leitura destes livros, encontres o autoconhecimento que te fará parar e prestar atenção a ti mesmo. Usufrui e vive cada linha destes livros com total entrega e serenidade.

Como forma de sustentar a leitura que certamente farás, proponho-te um desafio. Que durante uma semana reserves todos os dias 1 hora para ti. Lê, passeia, dança, escreve, pensa, faz o que bem te apetecer. Aposta na simplicidade do silêncio e usufrui de ti sem culpa e sem arrependimento. 

“Existe no silêncio uma tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta”- Fernando Pessoa 

Boas Leituras.

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