Cristina Amaro
Está a ler

Se espera pelo momento CERTO para agir, espere sentado…

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A vida

Se espera pelo momento CERTO para agir, espere sentado…

Em 1994, entrava no Instituto Superior Técnico no curso de Engenharia Informática. Escolhi este caminho não porque estivesse certo do mesmo, mas pelo facto de querer seguir os meus amigos mais chegados. Na altura, não era propriamente uma pessoa com poder de decisão. Vivia em busca do momento certo para fazer o que quer que fosse. A certeza, para mim, era como um martelo que tinha de acertar mesmo no centro da cabeça do prego.

Durante dois anos, andei a navegar por um curso que nada me dizia. Passava as horas em casa a ler e a ver filmes a preto e branco. Ir às aulas para mim era como entrar num poço de ácido. Quando não há nem uma coisa que nos motive, facilmente nos entregamos a uma dormência em que deixamos que tudo nos afete.

O meu primeiro contacto com a Filosofia foi no 10º ano. Confesso que de início não tivemos uma boa relação. Eu precisava de certezas e a Filosofia dava-me ainda mais questões. Passei à disciplina com nota mínima.

Vim a descobri apenas mais tarde, e já estando no primeiro ano da faculdade, o quanto as certezas que tanto queria não eram as certezas que procurava. Era como se existisse uma espécie de bipolaridade entre o que queria e o que procurava. Tentar perceber esta dissonância foi o que me impulsionou a mudar para o curso de Filosofia, o que implicava uma grande decisão.

Mantendo o meu vício em momentos certos para agir, adiei esta decisão um ano e meio. Cerca de 550 dias em que aguardei firmemente que a circunstância ideal surgisse para poder entrar em ação. Embora aproveitasse esse tempo para ler muito, nomeadamente livros de filosofia, nunca me senti tão perdido e vazio.

Esta decisão iria mexer com muita coisa. Quebrar as expectativas dos meus pais, ter de voltar ao 12º ano para mudar de área, regressar à Madeira, investir mais dinheiro, distanciar-me de amigos, voltar atrás.

Como um bom discípulo do destino, esperava mesmo que o momento certo aparecesse. Lembro-me de pedir sinais a Deus como confirmação da decisão que queria tomar. Nascia um medo atroz e, por vezes, sentia que era uma questão de vida ou de morte. Pensava que era o fim do mundo.

Quando não decidimos por nós, alguém o fará. E dói mais. Muito mais quando perdemos um dos bens mais valiosos que temos: o poder pessoal.

550 dias de luta interna, desassossego, angústia, ansiedade e espera. Tudo para que o momento certo se manifestasse.

Em 1998, entrei no curso de Filosofia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Atingi o objetivo, mas no dobro do tempo.

Assumir a responsabilidade das nossas decisões em nada tem que ver com o momento certo. Na verdade, tal tipologia de momento não existe. Prefiro a adrenalina de sair da zona de conforto e fazer à dormência de ficar à espera.

O tempo não para. Nem por si nem por ninguém, por nada. Se acredita, tem consciência e sabe que é o melhor para si, prefira fazer mesmo que erre.

Habituamo-nos facilmente a ficar em modo “standby” à espera de que alguém carregue no botão do comando para que façamos qualquer coisa.

O mundo não irá acabar por entrar em ação. Pelo contrário, o mundo avança quando nele é incutida a força humana da realização.

Vou sugerir-lhe dois livros que vão ajudá-lo a quebrar o padrão da monotonia. O primeiro é “A Regra dos Cinco Segundos”, de Mel Robbins, e o segundo “Como Deixar de se Preocupar e Começar a Viver”, de Dale Carnegie.

Estas duas leituras complementam-se de uma forma incrível. Enquanto em “A Regra dos Cinco Segundos” aprenderá a entrar em ação, no livro de Dale Carnegie ganhará ferramentas para se sentir confortável com as decisões que toma e evitar sentir-se demasiado ansioso face aos desafios.

Se procura o momento certo para agir, terá de esperar sentado e, nalguns casos, deitado. Não permita que o conforto de se deixar ficar o domine. Agite a sua vida. Entre em ação.

Desejo-lhe momentos inspiradores.

Boas leituras,

César Ferreira
Biblioterapeuta e reading coach

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