Cristina Amaro
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“Saber desenhar é saber ver”

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As pessoas

“Saber desenhar é saber ver”

“Saber desenhar é saber ver”

Folheava um caderno de desenhos, que foi preenchendo nas suas viagens, quando afirmou que saber desenhar é saber ver, saber apreciar, saber sentir… Não posso estar mais de acordo. Quem, como eu, conhece a Fernanda Lamelas há muito tempo foi vendo este seu talento aprimorar-se. Vem da sua formação em arquitetura, mas também da sensibilidade do mundo em que sempre viveu, o das jóias. O do luxo. O dos pormenores. O do design de interiores. O das cores, das formas e dos sentidos.

A Fernanda é uma caixinha de surpresas. Começando pelo local onde a encontramos, um primeiro andar da Praça da Figueira, “escondido” por uma loja de rua que ninguém diz nos levar a um patamar superior. É mesmo isso que se encontra quando se abre a porta do primeiro andar. Uma sala onde se respira cor. Onde se respira talento. Onde se respira criatividade e longevidade também.

A nossa relação também vem de há anos. Mais de 20. Nós próprias nos surpreendemos quando fizemos as contas ao tempo… Conheci-a quando ela ainda era “a mulher das jóias”, e eu jornalista da revista Exame.

A mulher que na altura conheci pelo trabalho de relações públicas de várias marcas internacionais, como a Chaumet, Mimi e Cartier, entre outras, e com quem me fui depois cruzando no mundo do design de interiores em diversas joalharias, é hoje uma designer de lenços de seda made in Portugal. As peças da Fernanda trazem a alma de Portugal para a sua história e nas quais ela coloca o seu saber, o seu olhar, o seu sentir.

É uma artista, na verdadeira acepção da palavra. Uma artista que traz locais com história para a sua arte. Nas cores e formas que encontramos no seu atelier da Praça da Figueira – um espaço sóbrio, elegante e, acima de tudo, cheio de “luz” – encontramos lenços inspirados na Gulbenkian, em Serralves, no Palácio da Pena, no Hotel Valverde e, até mesmo, na Cervejaria Ramiro. O próprio local onde a encontramos a desenhar, ou a partilhar a sua arte com um cliente, também tem uma história e também guarda histórias e objetos da sua história de vida. O estirador é uma peça que a acompanha desde a infância, por exemplo, e onde ainda hoje se debruça na sua criatividade.

A sua inspiração é de uma enorme diversidade. Os locais que frequenta são talvez o que mais a faz criar. Locais históricos que a levam a deixar um olhar engrandecedor daquilo que é nacional, daquilo que é “nosso”.

No atelier podem encontrar de tudo. Almofadas, lenços, sacos, quadros, gravatas, bolsas, laços. A Fernanda é um pouco como eu: uma mulher de histórias. Uma mulher que agora também regista a história em seda, para além do papel. Foi tão bom reencontrá-la e abraçá-la num final de encontro onde foram as histórias de vida que selaram este momento. Janelas de luz que nos voltarão a cruzar. Quem sabe em breve. Quem sabe para eternizar a nossa história em 100% seda natural… 

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