Cristina Amaro
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Roupa: porquê azul quando se pode vestir verde-água?

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As pessoas

Roupa: porquê azul quando se pode vestir verde-água?

Se dependesse da senhora minha mãe, ainda hoje me vestiria de sapatos de vela, calças caqui e camisa azul-clara por dentro das calças. Não sei com que idade comecei a escolher a roupa, mas ainda bem que essa altura chegou. Não tenho nada contra quem, ainda hoje, escolhe essa indumentária (ou parecida), mas sempre tive alguma aversão ao fardamento.

Naquela altura, e no colégio onde andava, presumo que fosse mais ou menos consensual. Ainda assim, e como nunca me contentei com o que é demasiado consensual, sempre quis vestir, usar e ser diferente. Talvez tenha sido desde essa tal altura-não-exata que comecei a interessar-me por moda. Sempre gostei de folhear revistas com imensos anúncios de roupa ou sapatos, imaginando-me vestido com algumas das peças que via.

Hoje gosto muito de moda e tenho a sorte de ser jornalista e de poder seguir esse caminho. Com mais ou menos assiduidade, mas seguindo o caminho. E, na verdade, não vejo grandes diferenças do meu tempo de estudante colegial para o de hoje, mesmo que a opção seja muito, mas muito, maior. A juventude, hoje, veste-se de igual, e é irrelevante o “dinheiro que tenha na carteira”.

As marcas de “fast fashion”, como Zara, H&M e afins, vieram contribuir, e bem, para uma determinada forma de democratização da moda. Fizeram o seu papel de maneira firme e segura. E nada disso está em causa. O que pode estar, e incomoda mentes como a minha, é que no meio de tanta oferta se acabe por escolher sempre o mesmo. E igual. E eu sempre detestei, e detesto, andar igual aos outros.

A forma de vestir diz muito sobre a maneira de ser de cada um. Então, o que dizer quando duas, três, dezenas, centenas de pessoas se vestem de igual? Talvez não diga grande coisa, mas que sei eu?! Pouco ou nada, talvez. Por que não comprar português? Há tantos designers com enorme talento e a fazer coisas tão boas… São mais caras? Sim, são.

Mas não é preciso vestir Luís Carvalho, Hugo Costa, Nuno Gama, Miguel Vieira ou Carlos Gil dos pés à cabeça. Uma peça conjugada com outras de marcas mais acessíveis pode fazer toda a diferença. E é isso que tem de começar a estar no “vocabulário vestimental” de cada um de nós. Porque o que é português é bom, tem qualidade e talento, e vale muito a pena (in)vestir!

André de Atayde é jornalista do Expresso.

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