Cristina Amaro
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Roteiro pelos lagos do norte de Itália

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A vida

Roteiro pelos lagos do norte de Itália

Roteiro pelos idílicos lagos do norte de Itália

Por Cristina Amaro

Vai um roteiro pelos lagos do norte de Itália?

Já há muito tempo que desejava conhecer os lagos do norte de Itália. Sempre que vou a Milão é em trabalho e sem tempo para estar, para sentir, como tanto gosto de fazer quando viajo. Por isso esta viagem, desta vez a lazer, me soube tão bem. Foi curta, mas venho de alma cheia com tanta beleza. 

Nestes feriados de Junho, eu e o meu marido, optámos pela região da Lombardia e escolhemos três lagos bem perto da fronteira com a Suíça que dificilmente se descrevem de tanta beleza que guardam: o famoso Lago do Como, onde o ator George Clooney tem uma mansão, o igualmente arrebatador Maggiori (para mim o mais bonito) e o Iseo. Posso dizer-lhe que ao vivo e a cores são ainda mais lindos! 

Se está a pensar ir a Itália nos próximos tempos deixo algumas notas de recomendação que não são mais do que as minhas experiências. Com uma garantia: vai amar! 

Ida para Milão em viagem low cost é a melhor opção. Afinal é um voo que dura menos de 3 horas e assim guarda uns trocos para investir no local. Leve uma mala de cabine e uma mochila às costas para evitar filas e tempos de espera na ida e regresso, entre no espírito da viagem e deixe-se ir…

Alugar um carro para explorar o território ao nosso ritmo foi a melhor escolha. Fizemos tudo o que nos apeteceu, quando nos apeteceu e deu-nos liberdade total. Planeamos toda a viagem a partir de Lisboa e quando chegámos a Milão foi só levantar o carro e seguir viagem.

Primeira paragem: Lago Maggiori. O que não conhecia de todo e o que mais me apaixonou pelas paisagens. A descida pela estrada nacional é de cortar a respiração. Fomos diretos para Stresa e parecia que estávamos a entrar num filme romântico dos anos 50. Não é à toa que os lagos alpinos conquistam tantos atores de cinema.

Visitámos as 3 ilhas de Stresa num passeio de barco comprado à saída do parque de estacionamento, onde parqueámos o carro por umas horas. Foi uma ida e volta, com pausa para almoçar num restaurante à beira lago na Ilha dos Pescadores e uma experiência que valeu pelas paisagens e pela arquitetura local, mais do que pela comida que é muito virada para turista para meu gosto, mas que não estava propriamente má. Esperava mais, mas o resto superou essa parte. E o resto foi mesmo a beleza de cada uma das ilhas e o passeio de barco que é em si um charme. Deixo uma dica importante: se escolher esta possibilidade fixe bem o local onde para o seu barco porque no regresso, entre tantos operadores, é fácil não encontrar o seu porto de embarque. Não prima pela sinalética, mas vale a pena o passeio. 

Em 3 ou 4 horas fica a conhecer as ilhas românticas: Ilha Bella, Ilha dei Pescatori e Ilha Madre. Todas elas repletas de uma vegetação verde e luxuriante. Vale a pena passear sem tempo marcado pelas ruas e ruelas destas vilinhas, ouvir o cantarolar dos italianos (que eu adoro) e estar. Simplesmente estar. Sente-se por uns minutos num banquinho à sombra e aproveite o som dos passarinhos enquanto admira a beleza das montanhas que rodeiam o lago. É arrebatador. 

Nesse dia, e como os Lagos Maggiori e Como são próximos um do outro e a menos de 1 hora de Milão, ainda tivemos tempo para ir a Tremezzo de propósito para comer um gelado. Uma amiga recomendou a La Fabbrica Del Gelato por serem os melhores de Itália, diz ela – e agora digo eu também! Perdi a cabeça por estes dias e comi vários (a minha nutricionista que não leia isto!) e garanto que nenhum outro foi melhor. Um home made ice creamcheio de cor e sabor que se encontra numa pracinha central, mesmo junto ao lago do Como. 

Tremezzo fica já no Lago do Como e é, asseguro-vos, absolutamente maravilhoso. Entre tantos vilarejos charmosos que se encontram junto aos lagos, Tremezzo foi um dos que mais gostei. É tudo bonito. As ruas, as casas de telhados vermelhos e arquitetura típica da região da Lombardia, as montras do comércio local e, claro, as vistas para o lago. De onde quer que se olhe.

Foi dessa zona que viajámos depois por Ferry para Bellagio e, de seguida, para a aldeia de Pallanzo, uma localidade que parou no tempo e que nos permite acordar em plena floresta. Essa manhã fez-me viajar no tempo e voltar à Tailândia onde acordei na ilha do hotel Soneva Kiri com tantos sons de pássaros diferentes que por momentos pensei estar com um CD em modo despertar no quarto.

A esta localidade de Itália não se chega com facilidade já que as estradas são apertadas e sinuosas, mas a experiência de estar em pleno século XXI num sítio que parece de há dois séculos atrás vale muito a pena. Fomos dormir a uma casa de turismo local situado numa rua onde o nosso carro nem sequer podia entrar, mas comemos a melhor carne de Itália. Cà Piodèe é o nome para quem tiver interesse nesta aventura.

Não deixem de subir ao ponto mais alto da aldeia no final do dia para fotografar o Lago do Como ao entardecer. Um dos muitos miradouros que podemos escolher. O lago é majestoso. Seja de que ponto for. Em Pollanzo recomendo um passeio pelas ruelas da aldeia ao cair da noite e um olhar especial pela arquitetura local. Vale mesmo a pena.

A cidade de Como é, para mim, confusa devido ao enorme fluxo de turistas. Confesso que não fiquei fã. Os jardins são bonitos, o centro da cidade, bem perto do lago vale a pena, mas não foi o que mais me encantou. O calor também não ajudava, é certo, mas ainda assim passeámos junto à marina num jardim bem simpático onde os turistas aproveitam para apanhar sol nos relvados próximos da água. 

Roteiro pelos idílicos lagos do norte de Itália
Roteiro pelos idílicos lagos do norte de Itália

Fiquei mais fascinada pela cidade de Iseo, a que dá nome ao Lago. E nesta fiquei tão entregue aquela vida descontraída que nem me fixei nas milhares de fotos que ela merecia que lhe tirasse. A cidade vive paredes meias com o lago, que lhe dá nome, e o fim de dia ali é simplesmente arrebatador. Pelo silêncio, pela paz, pela beleza das cores, pela diversidade de restaurantes, bares, gelatarias, passadiços de madeira que nos permitem percorrer o beira-lago numa enorme distância e pelas inúmeras obras de arte que se espalham ao longo da estrada marginal. Uma beleza este lugar. E sabem que mais? Foi aqui que comi a melhor pizza da minha vida. Se tiverem interesse procurem o restaurante Leo D´Oro. É fabuloso! 

Iseo foi mesmo o meu ponto preferido da viagem. Andar de bicicleta por lá é seguro e como a cidade é plana torna-se muito tranquilo. Para os que adoram, como eu, aconselho vivamente. Nós ficámos no hotel Arabe Fenice, e se quiserem uma experiência de jantar à beira-lago num lugar romântico a preços aceitáveis, também vos posso recomendar. 

Resumindo, os três lagos: Maggiori, Como e Iseo conquistaram os nossos corações e valem muito a pena.  Se estiver a pensar ir a Itália neste verão aproveite porque são mesmo de explorar.

Para os que gostam de subir uns quilómetros, o meu marido recomenda o Monte Isola, no lago Iseo. Eu confesso que os 32 graus não me convidaram a tal aventura, mas para os mais resistentes é sempre uma opção. Vi várias pessoas a voltarem dessa caminhada com ar cansado mas feliz, a arrastarem os pézinhos e com belas rosáceas no rosto. Eu preferi ficar cá por baixo a ver a vida local. Não me vou esquecer desta ilha pela mais repentina mudança de tempo a que assisti: em duas horas, a temperatura desceu de 32 para 21 graus e em poucos minutos a trovoada “fechou” a aldeia. Fica a memória…

No regresso, pausa para conhecer Bergamo. E que cidade! Prima pela arquitetura, que vale a pena apreciar, sem deixar de explorar a Città Alta, como chamam ao bairro mais antigo e elevada sobre a zona mais moderna. Nós optámos por dormir lá para sentir de perto a vida local que se faz entre muralhas e ruas calcetadas em pedra redonda que nos permite mesmo fazer uma viagem no tempo. A experiência vale muito a pena e descer pelo funicular á Città Bassa para passear pelas largas avenidas também. Foi uma curta passagem, já a regressar a Milão. Um passeio que vale a pena pela rica arquitetura medieval, barroca e renascentista aliada às lojas cheias de encanto e ruelas de pedra. Bergamo respira paz e tranquilidade e isso hoje sabe ainda melhor.

Roteiro partilhado e sem patrocínios. Optei por escrever estas linhas em resposta às inúmeras mensagens que fui recebendo ao longo da viagem a pedir sugestões. São, por isso, as minhas mais puras percepções e algumas delas nem com as melhores imagens dos locais. Afinal não era esse o meu propósito e estava mesmo num registo de me deixar ir. Ainda assim, aqui ficam para quem delas precisar.

Boas viagens e inspire-se aqui noutros textos.

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