Cristina Amaro
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O SOCIALISMO Millennial

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O SOCIALISMO Millennial

Os jovens estão apaixonados por uma ideia antiga ¬ fala-se cada vez mais de um “socialismo Millennial”. Por testemunharem os problemas do capitalismo, a tendência é a de apoiarem os valores socialistas de redistribuição de riqueza e poder. É para nós inaceitável que o atual sistema económico e social ignore problemas tão enraizados na nossa sociedade e no nosso estilo de vida. Desde a queda do Muro de Berlim, os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres mais pobres e o estado do nosso planeta mais degradado. Desta forma, não parece sustentável manter um estilo de vida baseado no egoísmo e na indiferença. Por vezes conhecidos como a “Me Generation”, nós, Millennials, não poderíamos estar mais sensibilizados para os problemas dos outros – desde o aquecimento global ao aumento da pobreza e da desigualdade, passando pelo feminismo e pela igualdade dos géneros.

Os nossos pais e avós assistiram aos anos de glória do capitalismo após a Guerra Fria, mas nós sofremos com a crise financeira, vimos o sistema político português afundar-se em corrupção e estamos a assistir à destruição da Natureza que nos rodeia. A geração Y quer agora não só defender a criação de valor económico, mas também de riqueza e harmonia social, e assim o liberalismo social torna-se uma solução bastante aliciante.

O sistema capitalista atual alimenta os interesses das elites e daqueles com poder e tem visto um aumento da precariedade e da desigualdade social.

Mas o capitalismo é apenas um tipo de organização económica liberal, e o liberalismo apresenta-nos outras soluções. Precisamos de um equilíbrio entre o peso do Estado e a liberdade dos mercados, precisamos de apoiar a atividade empreendedora e de lutar contra as injustiças sociais e ambientais.

O status quo está, sem dúvida, podre e precisamos de uma mudança de paradigma rápida.

Mas será o socialismo a melhor solução? Além da sua base ideológica utópica e dos seus fracassos no último século, a esquerda corre também o risco de criar políticas que apoiam uma exagerada centralização das decisões, que se perdem nas burocracias e que acabam por promover a propagação de atitudes corruptas.

Estou curiosa para ver, nas próximas décadas, de que forma irá o nosso sistema político e a nossa economia transformar-se para reconciliar a preocupação dos mais jovens de proteger o nosso ambiente e a igualdade social, enquanto promovem a inovação e a liberdade económica. Precisamos urgentemente de uma reeducação liberal com o desenvolvimento de políticas de redistribuição “market-friendly” e uma maior democratização das instituições públicas de forma a servir os interesses da maioria.

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