Cristina Amaro
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O futuro da MODA

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O futuro da MODA

Na última semana de maio, teve lugar, no espetacular Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões (que merece a pena ser visitado), a 2ª Conferência da Associação Portuguesa de Calçado (APICCAPS) sob o tema O Futuro da Moda. A somar a este evento, outros têm existido e outros estão agendados, em torno dos temas de design, craftsmanship, luxo e moda. No mês de junho, por exemplo, terá lugar em Gondomar a 2ª edição do Summit Luxury, Design & Craftsmanship, da Covet Foundation.

Nunca se discutiram tanto estes temas em Portugal e fico muito feliz por à volta destas discussões estarem empresários, gestores, representantes de entidades públicas, dirigentes associativistas, Imprensa e estudantes. Estes debates primam sempre pelo exemplo. Escolhem-se oradores que provam que cada vez mais é possível empreender em áreas em que tradicionalmente somos excelentes produtores mas que carecem de visibilidade e de notoriedade. A ambição é a de transformar indústrias tradicionalistas em indústrias com tradição mas voltadas para as exigências dos consumidores do futuro.

Os temas têm sido recorrentes: a necessidade de criação de marcas fortes, as vantagens competitivas da indústria portuguesa associadas a um valor de mão de obra qualificado e ainda relativamente acessível, ao talento criativo dos profissionais, à qualidade e à flexibilidade na produção de pequenas séries, à preocupação pelas questões sociais e do meio ambiente. Os pontos fracos também são mencionados, mas com uma perspetiva menos derrotista e mais assente no encontro de soluções. Discute-se a carência de formação de gestão, a pequena escala do mercado nacional, as ferramentas governamentais desadequadas às realidades de promoção, a dificuldade de financiamento, a falta de cultura associativista e de cooperação e a cultura da não aceitação do erro como um processo natural de crescimento e de aprendizagem.

O que noto, contudo, é que estas discussões, embora recorrentes, não são estéreis. Estes momentos de inspiração e partilha têm contagiado uma massa crítica de decisores, que verdadeiramente começa a abrir caminho para uma nova era. O medo já não está em avançar e tomar a dianteira, o medo está do lado de estagnar e ficar para o fim… de perder relevância. Como afirmei na conferência da APICCAPS, em que fui uma das moderadoras, o facto de estarmos dois passos atrás que nos sirva para ganhar perspetiva e nos impulsione a ganhar balanço.

Em cima da mesa e em conclusão desta conferência, ficou o vislumbre do futuro, com Inteligência Artificial e avatares, que já não pertencerão a um jogo do Second Life, mas sim a uma realidade que nos acompanhará no nosso dia a dia. Ficou também a certeza de que há espaço para as emoções e lugar para a intervenção humana, com a sua escala e as suas características próprias. Falámos também da importância do digital como o meio mais eficaz e absolutamente incontornável para chegar ao nosso cliente; loja física como meio por excelência de transação experiencial e não económica; da sustentabilidade, não como uma moda mas como uma inevitabilidade, a nível ambiental, social e económico; de novos modelos de negócio da moda que surgirão num novo paradigma de consumo que é imperativo estabelecer.

O futuro está a um passo. A mudança é mandatória e nós vamos ter de a acompanhar. A reboque, antecipando ou inventando o amanhã, ou desaparecendo.

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