Cristina Amaro
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My amazing BANGKOK

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As marcas

My amazing BANGKOK

Os termómetros marcavam 35 graus quando cheguei ao hotel. Tinha saído de Portugal de blusão de inverno, pelo que a sensação de calçar uma sandália e meter-me num vestido de alças, depois de um bom banho à chegada, fizeram do meu regresso a Bangkok um bom começo de viagem.

Liguei para casa para descansar a mamã que fica sempre preocupada quando viajo para longe e lá saí para sentir de novo o pulso a Bangkok. O dia estava a terminar e desta vez não tinha compromissos logo após o check in, como na minha primeira ida em trabalho. Tinha sim duas semanas de puro lazer que começavam nesse momento.

Apesar do sol já se ter retirado, o calor ainda se fazia sentir como se estivéssemos a meio do dia. Só isso nos fez de imediato sentir que estávamos de férias! E como nos iriam saber bem…dias em modo slow life. Sem agendas. Sem compromissos. Apenas a fazer o que nos apetecia.


Esta foi uma viagem especial, feita com pessoas especiais. A viagem que assinala a entrada nos 18 anos da minha filha do coração que teve o privilégio de ter ao seu lado o pai, a mãe e a mãe do coração. Sim. Orgulho-me muito disso. E somos todos uns privilegiados por sermos felizes juntos. 

Estávamos determinados em aproveitar cada segundo do tempo vivido na Ásia. Queríamos ouvir os sons da cidade. Cheirar os odores da rua. Aproveitar os spots da zona onde estávamos hospedados. 

Para quem optar por uma viagem tranquila e valoriza um bom pequeno almoço, o Anantara Siam Bangkok Hotel é uma opção de estadia na capital. Apesar de já precisar de umas remodelações, sabíamos que daqui podíamos ir a pé à zona dos shoppings e que tudo era próximo. Faz diferença já conhecer alguma coisa do destino ou ter quem nos dê umas orientações antes do embarque. As duas coisas foram ouro sobre azul e todos nós regressámos com um “Amei Bangkok”.

No primeiro dia acabámos por jantar num dos centros comerciais ali perto. Gostamos de viver como os locais. Eu adoro emergir nos lugares, imaginar-me a viver neles e de arriscar nas escolhas. O que vos posso dizer é que todos nós recordamos essa refeição. Só pelos vegetais salteados que nos serviram, só por eles, voltava já outra vez! Boa desculpa, não é? Claro que juntava a esse regresso uma série de outras coisas. Mas acha mesmo que não voltava só pela cozinha thai? Garanto que sim! Aliás, desde o primeiro ao último dia, foi a minha opção de refeições. Sou fanática pelos sabores tailandeses. 

A propósito de gastronomia, partilho uma curiosidade: sabe que o Chef McDang, um dos mais conceituados chef´s tailandeses que tive o privilégio de conhecer em 2016, agradece aos portugueses alguns dos sabores que ainda hoje distinguem o thai cooking? As malaguetas são um deles. Mas também as batatas e os tomates que levámos para a Tailândia na altura dos descobrimentos, passaram a ser integrados na culinária tailandesa e ainda hoje são ingredientes que fazem a diferença nos sabores da sua cozinha. 

Mas o mais giro é saborear fios de ovos iguaizinhos aos portugueses (Doce que simboliza união e que vem do passado histórico que uniu os nossos países. Faz parte de ocasiões festivas e especiais) ou encontrar uma rua em Bangkok onde se cozinham coscorões, queques e outras iguarias de influência portuguesa. 

Comecemos então por aí.

Não estava no roteiro mas a nossa guia perguntou-nos, a meio da visita ao mercado das flores, se queríamos dar um pulo a uma zona onde se encontrava um pouco da cultura portuguesa na cidade. Eu sabia que existia um lugar onde Portugal se fazia sentir com emoção (foi um dos pontos de filmagens do Travel Brands a que não fui em 2013 por estar a fechar textos e pivots no hotel) mas não sabia se era este. Não hesitámos e claro que aceitámos o desafio.

Ainda não era bem meio dia e o calor já picava o corpo. Valeram as garrafas de água fresquinhas para nos fazermos ao caminho. Atravessámos o rio numa viagem curta e lá encontrámos a Igreja de Santa Cruz. Estava fechada por ser feriado nessa segunda feira, dia 8 de Abril. Dia de celebração da cidade, de homenagear o Rei e de usar amarelo (a cor que se usa à segunda precisamente em sua homenagem), e de muita calma na cidade, o que nos ajudou nas visitas.

Nesse mesmo espaço onde se ergue imponente a igreja, existem também um centro de estudos portugueses, casas onde se fazem doces de origem portuguesa, várias figuras religiosas que nos dizem muito e que muito nos orgulham, e um sentido de respeito grande, que se sentiu a cada palavra que a nossa guia usava para descrever aquele lugar. É uma experiência que vale a pena viver. 

Deixo a dica para evitar ir num feriado. Só assim poderá visitar o interior de cada lugar deste cantinho de Portugal em Bangkok.

Neste dia visitámos os pontos turísticos obrigatórios para quem vai pela primeira vez a Bangkok: Royal Palace, Emerald Buddha, Wat Pho e Chinatown. Com muito calor e muita gente!! 

A beleza de cada um destes lugares é inquestionável e melhor do que lhe descrever o que quer que seja (informação que se encontra em qualquer guia sobre a cidade) é convida-lo a passar os olhos nas imagens que nos inspiraram. É uma galeria criada aos meus olhos e que sentiu neste regresso algumas diferenças, em particular nas sombras que passaram a existir para proteger os visitantes.

Para visitar os templos budistas nunca se esqueça de levar roupas frescas e leves, peças que lhe cubram os ombros, joelhos e tornozelos e uns sapatos simples que permitam calçar e descalçar com frequência. Umas meias que protejam os pés de um chão bastante pisado e quente, quando estão descalços, vão tornar a visita mais confortável. 

Eu vivi cada momento com a emoção que sentimos num lugar tão mágico e imponente. Salpiquei-me com água benta para trazer alegria e saúde à minha vida, e silenciei-me para sentir a espiritualidade deste lugar.

Foram 3 dias intensos para cumprir o plano de viagem pela cidade e arredores. Não queríamos apenas conhecer os templos budistas que nos despertam o lado mais espiritual, nem somente passear-nos pela cidade. Fazia parte da viagem uma experiência imperdível nos mercados. O do comboio e o flutuante eram lugares que já conhecia mas regressar é sempre uma diversão…

Os mercados que não pode perder

A hora foi marcada na véspera e confesso que a todos nos custou ouvir que teríamos de sair às 06.30H do hotel. Já de pequeno almoço tomado e preparados para a aventura. Lá fomos, quase que ainda a esfregar os olhos, num carro de turismo que nos fazia lembrar um quarto de hotel…cheio de cortinas e poltronas…mesmo a pedir que se prolongasse o sono. 

A viagem foi longa mas confortável. As cerca de 2H fizeram-se sem trânsito por termos saído cedo. E isso fez-nos chegar a tempo de visitar uma família local que transforma o coco em diversos produtos que podemos comprar no próprio quintal transformado em loja. Uma boa forma de ajudar quem lá vive. 

Fizemos meia dúzia de compras e seguimos para aquela que seria uma das partes mais divertidas da viagem. A experiência dos mercados. O ar condicionado do carro foi trocado pelo ventinho quente do barco de cauda longa que nos transportou durante uns 20 minutos até ao centro do mercado flutuante. E quem bem me soube entregar-me aquela liberdade… Voaram comigo, naquele momento, todas as preocupações e foi mesmo o momento que me fez desligar o botão de Portugal. 

Eles entraram num mundo novo. Eu matei saudades de um lugar que tinha adorado visitar. E voltei a adorar. Partilho algumas das fotografias que me inspiraram. Os rostos do mercado flutuante. As bancas do mercado do comboio. Imagens que falam por si.

Se está a pensar ir ao mercado do comboio deixo uma recomendação: siga a linha onde estão os expositores até ao final. Nessa zona existem uns cafezinhos onde se bebem uns sumos de fruta fresca deliciosos. O shake de manga que pedi soube-me pela vida! A fruta é outro must taste da Tailândia!

Foi o nosso local de pausa enquanto aguardávamos o momento alto da chegada do comboio e em que todos os vendedores afastam os toldos para a sua passagem. Estar ali resguardado, à sombra ou no ar condicionado, pode fazer toda a diferença numa experiência que também vale pelo conforto. Em especial para quem já não tem 20 anos…e os meus já há um tempo que ficaram para trás. Hoje valorizo mais o conforto em detrimento da confusão. Good choice.

Imperdível é também o passeio de barco pelos canais de Bangkok. Refresca-nos. Permite-nos ver a cidade de outro prisma e de conhecer a zona mais antiga da capital. Houve momentos que me senti na Dubai antiga, tal é a azafama de barcos e de pessoas. O tráfego da cidade também aqui se faz sentir.

Depois de uma manhã intensa de visitas, como a que vivemos no dia em que fizemos o tour pelos canais, parar num restaurante à beira rio foi mesmo o melhor que nos podia ter acontecido. Estava à nossa espera uma mesa junto à janela, umas toalhinhas para nos refrescarmos e uns sumos bem frescos ainda antes da refeição. Tenho a certeza que o Supatra Riverside vai ficar na nossa memória para a vida! 

Se lá quiser ir, poderá confirmar que ainda existem clássicos imperdíveis! Aproveite para saborear os pratos mais tradicionais da Tailândia e para apreciar os barcos de cauda longa. Faça um passeio pelo rio Chao Phraya, de onde consegue avistar os templos budistas, os novos arranha céus da cidade e a vida local, e vai ver que vale mesmo a pena.

Uma cidade que se ama ou se odeia

Bangkok é uma cidade de extremos. Intensa. Vibrante. Viva. E cheia. Muito cheia. Talvez por isso arrecade opiniões tão diferentes por parte de quem a visita. 

Ou se ama ou se odeia, muitas vezes concluo de opiniões que ouço. Basta uma má experiência no trânsito que nos prenda horas dentro de um carro, ou uma visita turística sem o conforto mínimo, que de imediato se mudam percepções. Confesso que à minha terceira ida à capital tailandesa, dou comigo a perguntar como não gostar…

O meu segredo para uma boa experiência passa por conciliar conforto com dias leves para não chegar ao estado de exaustão que nos faz gostar pouco do que quer que seja. Se optar por um guia que ajude em todas as experiências, que tenha uma garrafa de água bem fresca e um toalhete refrescante à sua espera nos momentos mais cruciais, que faça o esforço de optar por horas de menos trânsito e por uma estadia mais central, vai ver que toda a experiência se torna muito positiva.

Eles, melhor do que ninguém, sabem a que horas devemos ir onde e como, os lugares que estão na moda no momento e o que não pode mesmo perder. Procure que esse guia esteja à sua espera no aeroporto quando chega, e só deixe de fazer parte da visita no momento do embarque. Os Tailandeses podem não dominar o inglês mas são de uma simpatia inesquecível. E fazem tudo para nos agradar.

Os roofttop de uma cidade vibrante

Apaixonei-me pelo Rooftop do Sofitel So, em 2013, na minha primeira viagem à Tailândia. A piscina panorâmica no topo do edifício é espetacular e todo o hotel é especial. Gravámos pivots lá, à noite. Recordo-me bem do momento apesar de estar estourada de trabalho…tínhamos começado o dia às 5.30H e as gravações terminaram já bem perto da meia noite!

Desta vez, que estava em lazer, e sem agenda de trabalho, fiz questão de sugerir que as duas últimas noites fossem em lugares especiais. Optámos por ter Bangkok aos nossos pés. No Vertigo assiste-se a um dos por de sol mais espetaculares da Tailândia. Faz parte da lista dos Top 10 e eu recomendo vivamente. O jantar não é barato mas vale a pena ir cedo para um jantar romântico ao cair da noite.

Na última noite, tivemos o privilégio de ir conhecer o novíssimo SEEN Bangkok que o nosso Chef Olivier acabou de abrir na capital tailandesa. E que surpresa boa… a vista é arrasadora. O bar é giro que se farta. O lugar está cheio de gente com pinta e a comida faz-nos lembrar Lisboa por uns momentos. 

Tive pena de não chegar a tempo de comparar o por de sol com o do Vertigo, mas a piscina do SEEN é cativante e a envolvente, arrisco-me a dizer, é ainda melhor. Outro Spot a não perder!

Talvez por tudo isto o meu regresso a Bangkok tenha sido mais uma experiência positiva na capital do país dos sorrisos. De lá parti para Khao Lak e é sobre esse roteiro que partilho o meu último texto sobre a Tailândia na próxima semana.

Porque viajar também passa por nos deixarmos levar pelas imagens e pelas palavras, espero que tenha feito uma boa viagem…longa não podia deixar de ser…mas para se fazer devagar… É assim que gosto de partilhar consigo estes momentos. Em modo slowlife. A saborear cada momento.

Apaixonam-me as experiências com as marcas destino por este mundo fora. Que venha a próxima.

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