Cristina Amaro
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Max Mara: a produção da perfeição

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As marcas

Max Mara: a produção da perfeição

Max Mara

Por Cristina Amaro, em Itália

Entrar na fábrica de uma marca que nos apaixona é como entrar no mundo da Disney quando somos crianças. Tudo ganha mais cor, valor e emoção. Numa palavra é: apaixonante. A Max Mara está no top 3 das Love Brands da minha vida, por isso é fácil para si perceber o meu sorriso nesta fotografia com Laura Lusuardi.

Laura foi Fashion Coordinator da marca italiana durante mais de 40 anos. Pisou seguramente muitas vezes o chão da fábrica para tocar nas “suas” peças antes de saírem para as hoje mais de 2.500 lojas em mais de 100 países. Não foi lá que a encontrámos e que senti a força da sua mão criativa, exigente e sensível mas sim na BAI, a biblioteca e arquivo de imprensa que o grupo criou em 2003 para garantir que o futuro teria acesso ao passado. Laura é hoje quem dá vida ao arquivo e mantém a biblioteca cuidando destes dois espaços como se fossem a sua casa. E são, na verdade. São muito mais do que um pouco de si! São muito de Laura porque foi também com a sua mão que nasceram e hoje se tornam local de inspiração interna mas também fonte de estudo para curadores de outras marcas internacionais. Como diz Maria Giulia Maramotti, neta do fundador, em entrevista ao Imagens de Marca (emissão que poderá ver em finais de Junho na SIC Notícias): “to face the future you have to know the past”. 

A produção da perfeição
A produção da perfeição

Giulia, terceira geração da família Maramotti, é hoje diretora de retalho do grupo Max Mara e Embaixadora Global da marca. Uma mulher de personalidade forte mas de palavra próxima. Recebeu-nos com tempo contado mas com imensa simpatia e carinho. Já tínhamos estado juntas em Lisboa num jantar privado e exclusivo para alguns colegas do jornalismo e da comunicação. Foi aliás nesse jantar que planeámos esta viagem para conhecer a marca por dentro. O nosso encontro em Itália foi por isso ainda mais caloroso. Diria, bem à moda italiana, com entusiasmo. Vai poder vê-la e ouvi-la nesta emissão especial que estamos a guardar para a altura em que o desfile da marca acontecer em Lisboa. É a primeira vez que a Max Mara desfila em Portugal e motivo para estarmos orgulhosos. Nessa altura já Maria Giulia terá o seu bebé nos braços uma vez que a sua gravidez terminará precisamente por esses dias. Nessa entrevista vai ver e ouvir o seu entusiasmo e perceber porque digo que se trata de uma mulher de forte personalidade. É impossível não a admirar.

No desfile sobre o qual ainda é cedo para falar, vamos certamente contar com criatividade, elegância, sofisticação e estilo. Valores que se associam aos da qualidade, modernidade e intemporalidade. 

Max Mara, palavra criada por Achille Maramotti, fundador da marca, tem em si o poder máximo que ambicionava e o diminutivo do sobrenome de família. Achille dizia que dois nomes com a mesma inicial tinha mais força e potencial de memorização e não se enganou. Max Mara é hoje sinónimo de estilo, mais do que tendência e uma referência mundial de luxo. Certa de que estilo e tendência devem caminhar de mãos dadas para o futuro, a marca quer que os próximos 70 anos tenham a mesma força do passado.

A produção da perfeição

A marca que se tornou poderosa, apesar de discreta, nasceu em 1951 pela mão de Achille Maramotti. A paixão pelo mundo da moda foi herdada pela sua mãe, Giulia Fontanesi Maramotti, fundadora de uma escola de alfaiataria e costura e pela sua avó, Marina Rinaldi, que geria uma elegante loja de costura em meados do século XIX.

Achille adorava vestir mulheres e a sua visão apurada para o negócio fê-lo perceber que tinha uma oportunidade de levar para Itália a inspiração da moda francesa. A marca Balenciaga foi a sua musa inspiradora para começar a vestir as mulheres dos médicos na altura e, nos anos 70, já com bastante participação de inovação e criatividade, a marca ganha força e reputação em Itália, de tal forma que em muito contribuiu para o ADN da própria moda italiana.

A produção da perfeição

A Max Mara tornou-se inquestionável no estilo, na identidade e o icónico casaco 101801, desenhado nos anos 80 e produzido na fábrica que ainda hoje é única na produção exclusiva de casacos para a sua própria marca, fez da Max Mara uma referência. 

Tive o privilégio de o ver a ser produzido em Reggio Emilia, cidade berço da insígnia. Peça por peça. Ao detalhe. A ele juntou-se o icónico “Manuela”, que, pelo terceino ano, aquece os meus dias frios de inverno e tantos outros, de tantas cores e tamanhos diferentes mas de estilo único. Todos alinhados, protegidos do pó, da humidade do ar por capas e tecidos protetores. Peças que são cortadas, medidas, cozidas com todos os cuidados para não danificar os tecidos, as formas, a junção de cada costura.

A matéria prima, lãs e cachemira, delicada e de toque único são tratadas como diamantes naquela fábrica de 10 mil metros quadrados de onde saem por ano 100 mil peças. A luz é natural em alguns espaços e combinada com artificial noutros para que as cores dos tecidos não se alteram, e a humidade do ar é controlada pelo ar condicionado que, além de contribuir para o bem-estar dos funcionários, garante as propriedades do tecido, em especial o das lãs.

Tudo ali é pensado ao pormenor e nem as técnicas de produção mais avançadas substituem as mãos que garantem 20% da operação. As mãos. A alma da Max Mara. A inspiração para quem valoriza o toque como esta marca o faz. Vê-las trabalhar, a cozer um botão ou uma costura, permite-nos perceber o ADN da marca. A sua filosofia. E é por elas e para elas que a marca guarda as mais de 300 mil referências no seu arquivo. Juntamente com as mais de oito mil peças da vintage collection, os jovens criativos e os designers podem tocar a história da moda e perceber o que se usou no passado, por época e pelos grandes nomes internacionais da alta costura.

 

A produção da perfeição

Uma viagem no tempo que nos dá tempo para olhar a marca de forma ainda mais apaixonada. Leva-nos a viajar mas também nos leva a compreender o valor de cada peça, em especial dos casacos, que sempre se distinguiram pela excelência do estilo aliado à qualidade. 

Um casaco Max Mara é um casaco para a vida. É optar por um estilo intemporal. É perceber melhor porque Itália tem o seu made in como poucos países o conseguem garantir. 

A produção da perfeição

A excelência da marca está na produção da perfeição. No detalhe de tudo e de todas as fases. Uma viagem que todos os apaixonados pela Max Mara deveriam poder um dia fazer. Esta é mais uma história de amor de um visionário que criou um negócio de sucesso e a prova viva de que o “Love & Business” se podem sentar à mesma mesa. Só isso permite uma história de sucesso com mais de 70 anos. Como esta.

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