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Let Them Talk

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As marcas

Let Them Talk

Let Them Talk

Por Cristina Amaro e Alexandra Figueiredo

Let Them Talk. Este é um movimento que se apoderou das redes sociais e que tem um objetivo: falar da importância que as marcas têm na autoconfiança das mulheres.

Mulheres com atitude estão na fila da frente deste movimento. São elas: Rita Pereira, Juliana Herc e Giovanna Lancellotti. Foi com a Juliana que tive o prazer de privar.

A Juliana é designer de moda e criou a sua marca no ano de 2014. O sucesso foi inevitável. Foi então que no fim de muito viajar percebeu que Portugal era a escolha certa. Foi cá que sentiu a paz e a energia de que precisava para realizar um sonho que já vinha de bem cedo.

Poucos minutos depois de a conversa começar, percebi rapidamente o porquê de ser uma das embaixadoras deste projeto. A atitude, a garra e a força depressa se fizeram sentir.

Let Them Talk

A Juliana é, acima de tudo, uma pessoa cheia de certezas. Do que quer, mas sobretudo do que não quer para si. Acredita que os acontecimentos negativos relativamente à mulher têm que ver com o posicionamento que as próprias mulheres adotaram ao longo dos anos, ao longo dos tempos: a fragilidade. Talvez pela sensibilidade, pela intuição ou pelo lado mais doce que têm. Acredita que se nós, mulheres, mostrarmos mais a “potência” que somos – porque somos! – conseguiremos mais facilmente mudar a mentalidade dos homens e, ainda – e infelizmente-, de muitas mulheres. E eu não podia estar mais de acordo!

Aliar o lado mais sensível e bonito da mulher ao seu lado mais inteligente acredito que seja a “pólvora”.

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A beleza ajuda muito na nossa autoconfiança. Este é um facto. Não lhe chamem futilidade. É uma realidade. Acima de tudo, uma necessidade. E não há mal nenhum nisso. E a Juliana chama a atenção para isso mesmo, para a importância de olharmos mais para nós, reservarmos mais tempo para aquilo de que gostamos e para o que nos faz bem … olharmos para nós de uma forma mais positiva. Se o fizermos naturalmente que isso vai refletir-se em todas as nossas relações, seja em casa, com o marido, com os filhos ou até mesmo no trabalho. Encararmos o nosso corpo, a nossa beleza, como algo positivo pode ser absolutamente determinante no nosso estado de espírito no nosso dia a dia. Todos os dias. E a vida toda. Como diz a Juliana: “um batom vermelho pode mudar por completo seu dia”.

Foi uma conversa fascinante de tão imprevisível que foi. A Juliana é uma mulher de convicções fortes. Doa o que doer.  Achei curioso não gostar do termo “feminismo”. Justificou-se dizendo que é um termo muito forte, que soa a “rótulo”. E que só por isso já não é positivo.

Vê os comentários negativos como algo positivo, que tem a importância que a própria lhes escolhe dar. É preciso ter um poder de encaixe muito grande. E a Juliana tem. Diz que o negativo é necessário e que os comentários maus podem ser bons se os encararmos como um processo de construção.

“Um comentário não poder mudar uma vida se não quisermos extrair nada de novo para a nossa vida”. E é isto…Tão isto!

Pretende através das suas roupas mudar o mundo. Diz que sente que muda o mundo todas as vezes que recebe uma mensagem de uma mulher a dizer que “naquele dia” a usar a sua roupa se sentiu mais bonita.

“A beleza vem de dentro e esse é o maior dos poderes”, diz. Acredita que se estivermos confiantes tudo à nossa volta melhora. Inclusive, nós próprias – “Eu tenho a necessidade de ser eu mesma a fazer as alterações das peças em cima de mim, de acordo com o meu corpo… Experimento e, como não tenho corpo de modelo, sei que se eu me sentir bem , certamente que mais alguém se vai sentir.” Todas as suas peças são pensadas e desenhadas para mulheres reais, com curvas, sem curvas, com mais anca ou menos anca.

Encararmos o que é nosso como algo belo é meio caminho andado para a aceitação. E a Juliana reforça muito essa ideia.  Não tem mal nenhum querermos fazer mudanças no nosso corpo de forma a que nos sintamos melhor. Querermos fazê-lo não é não aceitarmos o que somos é sermos aquilo que quisermos ser. E isso é um direito. Mais: é um dever. Se não fizermos nada por nós quem vai fazer?

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