Cristina Amaro
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Estará a infância em extinção?

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A vida

Estará a infância em extinção?

Estará a infância em extinção?

Há dias deparei-me com um texto do Eduardo Sá, no Observador, que falava sobre a urgência de as crianças terem infância. É que esta palavra parece estar a perder-se por aí – sabe-se lá como e por que razão.

As crianças estão sobrecarregadas, de horas de estudo, de trabalhos de casa, de fichas de avaliação, de trabalhos de grupo, de responsabilidades. Já para não falar das atividades extracurriculares que são tão importantes, mas que também desgastam.

Não tenho filhos. Mas não é por isso que esta realidade me passa ao lado. Pelo contrário. Daí que tenha trazido a temática hoje para o meu blogue. Porque todos nós devemos ter direito a uma infância.

Como diz o Eduardo, “Brincar é aprender. Brincar é melhor que fazer trabalhos de casa. Brincar educa para a intuição e para a interpretação. Brincar “puxa pela cabeça”, pelo corpo e pela “alma”. Brincar é “trabalhar”. E é pensar!”

Assusta-me a ideia de a infância se perder. Algo tão genuíno, tão puro e tão maravilhoso. Assusta-me a ideia de daqui a uns anos os jovens e adultos não saberem o que é ser criança. O não trabalhar, o não pensar, o não ter responsabilidades. Assusta-me não poderem dizer que a infância foi a fase mais bonita das suas vidas. Assusta-me saber que no meio desta necessidade de ter cidadãos competentes, com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, se perde uma coisa tão incrível como é a infância. Ser-se puro. Inteiro. Sem medo de julgamentos. Porque ,se formos a ver, é a única fase das nossas vidas em que tudo é permitido.

Parece que não há tempo. Que o mundo corre sem parar, com pressa sabe-se lá do quê. Temos de educar as nossas crianças a brincar. A serem o que elas quiserem ser. A conhecerem todas as histórias para que, um dia mais tarde, possam saber como querem escrever a sua própria história. Se mostrarmos, a brincar, como é a vida – uma vezes cruel, outras incrível – temos crianças, jovens, adultos e velhos educados. E para isso não é preciso grandes livros ou apontamentos. É licenciatura da vida. Que vale muito mais do que qualquer outro diploma existente no mundo inteiro.

Leiam o texto do Eduardo na íntegra aqui: https://observador.pt/opiniao/a-infancia-acaba-aos-6/.

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