Cristina Amaro
Está a ler

Em PARIS, a falar português

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As marcas

Em PARIS, a falar português

Voltei a acordar cedo. Muito antes de amanhecer o terceiro dia em Paris. Passava pouco das 5h30. Era o último de gravação de pivots e de reportagem que me levaram à Maison & Objet com a equipa do “Imagens de Marca”. 

A manhã ia começar com as filmagens de fecho da emissão que tínhamos de garantir nas ruas da cidade. Era preciso levantar cedo para fechar textos, arranjar cabelo, fazer maquilhagem… Estava por minha conta e tinha de ser Cristina/apresentadora + Cristina/cabeleireira + Cristina/maquilhadora. Tudo antes das 8h. E já com pequeno-almoço tomado.

Não foi a primeira vez que assumi tantos papéis em simultâneo e não será a última, certamente. Nestes dias, a dinâmica é diferente e bem mais exigente porque também gravo sem teleponto, o que significa que tenho de decorar os pivots para não haver enganos (os pivots são os textos que escrevo a lançar as peças do programa, a dar as boas-vindas e a garantir a despedida no fecho).

Nessa manhã estava frio. Dizia o telemóvel que a temperatura exterior não chegava a valores positivos. “Graças a Deus que não está a chover”, pensei ao afastar o cortinado da janela. Se por um lado a neve traria mais romantismo à emissão, por outro aumentaria decerto o desconforto da equipa… Por isso, para nós, que estávamos no terreno com zero graus, o melhor era o manto branco ficar para outro dia. Desculpem, mas às vezes também temos de pensar em nós 😉

Fui bem preparada para o inverno de Paris. Já tinha como experiência momentos bem difíceis que lá vivi em situações anteriores, por isso fui rigorosa com o guarda-roupa. Ainda assim, gravar na rua, em janeiro, e tão cedo, nunca é “para meninos”… E não foi. 

Estava quentinha e muito confortável. Salva por um capuz que não deixava entrar o frio gelado que se fazia sentir na Rue La Fayette, onde estávamos alojados e onde optámos por gravar. 

Adoro viajar e adoro Paris, mas o desconforto é sempre algo que, confesso, não me agrada muito! Principalmente a trabalhar. Mais ainda quando tenho de estar horas de pé, na rua, parada em gravações que obrigam a sorrisos abertos. Quando o frio ataca, até as palavras saem tortas… E depois o que acontece é que temos de repetir mais vezes e prolongar a exposição ao desconforto. Esse é talvez um dos meus maiores inimigos do inverno. O queixo não gelou mas andou lá perto 😉

Em jeito de partilha, ainda hoje me recordo da inauguração do Estádio de França. Era jornalista da “Exame” e fui fazer cobertura para a revista. Recordo-me bem da experiência, porque foi uma das primeiras reportagens que fiz fora de Portugal e lembro-me do frio que senti nessa noite como se fosse hoje. Estavam 10 graus negativos no dia 28 de janeiro de 1998. Quando saí do estádio, mal podia andar. Foi tão marcante que de todas as vezes que volto à Cidade Luz, no inverno, faço questão de levar o casaco mais quente de todos os que possam viajar comigo para a ocasião. Gorros. Luvas. Cachecol. Meias duplas, se necessário. Roupa em camadas. Tudo serve para não arrefecer. 

Desta vez não me esqueci e resultou muito bem aliar o conforto à beleza de uma peça que é agora aposta do nosso criador Luís Onofre: os casacos. Este é maravilhoso. E vai voltar dentro de dias, quando regressar a Paris para novo trabalho. Está decidido.

Desta viagem trago memórias aconchegantes e que me enchem de orgulho. Aliás, que devem deixar-nos, a todos, orgulhosos! Portugal está a dar cartas no segmento do luxo, com trabalho de autor, em todo o mundo. E naquela que continua a ser considerada a feira de maior referência na arte do design e da decoração, a nossa presença faz-se mesmo sentir. Ouve-se falar português em todos os corredores. E considerando somente os de maior prestígio, 60% das empresas são portuguesas.

Num entra-e-sai de stands que falam português, e que este ano são mais de 100, em conversas mais ou menos informais, trago a ideia clara de que a Maison & Objet continua a ser uma montra muito importante para as nossas marcas chegarem a mercados internacionais. Uma espécie de trade show, de segunda casa, que sempre as abraçou de forma especial. Estados Unidos da América, Ásia, China, Rússia, Médio Oriente e Europa são os destinos onde mais se afirmam no mercado de prestígio.

O “Imagens de Marca” vai explicar tudo isto ao pormenor. Na SIC Notícias, este fim de semana e nas plataformas digitais ao longo dos próximos dias. Convido-vos a ver e a ler algumas das histórias com que nos cruzámos e que merecem destaque pela inovação, pela excelência e pelo percurso.

Por aqui deixo-vos algumas curiosidades mais pessoais. Foi um prazer estar nesta edição da Maison & Objet onde o negócio fervilha e a inspiração, cultura, criatividade e design abundam em todos os espaços. Espero voltar. 

Apaixona-me conhecer de perto a evolução das nossas marcas.

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