Cristina Amaro
Está a ler

Desacelerar e saber dizer NÃO: habilidades pessoais e valiosas

0
As pessoas

Desacelerar e saber dizer NÃO: habilidades pessoais e valiosas

Eu já trabalhei muito na vida corporativa. Tipo 12 horas com intervalo de 15 minutos para almoço no refeitório. Intercalava a jornada com reuniões e mais reuniões. Lembro-me de ter estado em cinco num só dia. Chegava a casa stressada, com a cabeça mais pesada do que o corpo, e muitas vezes sentia-me mais ocupada do que produtiva. Sensação vazia, percebe?

Quando conseguia sair, no final das oito horas previstas, sentia-me culpada e ainda ouvia comentários constrangedores, como: “Está fácil a vida!” Se precisasse de sair para ir ao médico, para resolver algum problema particular, então, só pensava em voltar a correr. A minha desculpa preferida era: não tenho tempo, ando a trabalhar muito. Não tenho saudades dessa época.

A parte boa é que sempre podemos mudar, desde que tenhamos consciência do que nos prejudica e do que necessitamos de melhorar.

Noutro dia, compartilhei um texto em que a autora diz que trabalhar muito é algo desatualizado. Entretanto, a tal autora convenceu-me quando disse que ficava com pena das pessoas que enchiam o peito para dizer que trabalhavam muito como sinal de status, de sucesso. Não, não é. Desaprovo a minha atitude no passado porque eu dizia SIM a muita coisa: por participar e perceber que algumas reuniões eram improdutivas e não ter proposto alguma mudança, por não ter feito mais pela minha qualidade de vida, por não ter saído para tomar um café na rua quando sentia necessidade de respirar, por não ter respeitado mais as minhas vontades.

Desde que mudei a minha atividade profissional, desacelerar é um movimento consciente e diário. Muitas vezes tenho a sensação de que trabalho ainda mais, mas muito disso ocorre em função da tecnologia. Mensagens, informação, tudo a um toque, na tela do telemóvel. É tentador e automático. Esse movimento ganhou nome: slow life.

Aposto que, nesta altura, quem me acompanha até aqui deve estar a perguntar: é fácil dizer, mas como fazer? Como ser mais desenvolvido pessoalmente tendo tempo para trabalhar, ganhar dinheiro, encontrar os amigos, curtir a família?

Fórmula pronta não há. Mas a experiência de um pode contribuir para o método do outro. Em vez de dicas mastigadas, vou apenas revelar o que me ajuda nesta transição.

● Estou aberta a mudanças. E isso inclui novas ferramentas tecnológicas e métodos que possam auxiliar-me no meu desenvolvimento pessoal.

● Giro o meu tempo. Uso um planner semanal e ele é o meu guia para marcar compromissos de trabalho, pessoais e a minha folga. E respeito o que coloquei ali como prioridades.● Evito socializar com pessoas que reclamam de tudo, que me transmitem negatividade. Não dou conversa.● Aprendi a negociar, a pesquisar custos e a reconhecer a diferença entre preço e valor.● Sei planear e realizar. Foco e determinação são as chaves neste item.● Em menos de um ano, li mais livros do que nos últimos cinco.● Agora tenho limites. Descanso é sagrado e ócio é vida.● Eu sou a única pessoa responsável pelo meu sucesso. Não atribuo a terceiros responsabilidades sobre o meu sucesso ou o meu fracasso.● A coragem de mudar trouxe-me o vício do frio na barriga. Prefiro competir comigo mesma a perder tempo preocupando-me com a concorrência. O Sol nasceu para todos, e vivam as diferenças!

Luciane Bemfica é especialista em gestão e posicionamento estratégico para marcas pessoais.

Deixe uma resposta

Follow @ Instagram