Cristina Amaro
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Construir pontes – As novas famílias

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As pessoas

Construir pontes – As novas famílias

“Pai, pai, vamos chamar a mãe para jantar.” Esta seria uma frase normal do dia a dia de uma família não estivesse Maria num continente diferente.

Antigamente, trabalhar noutro país significava criar um afastamento grande da família e dos amigos, deixar de seguir o seu dia a dia, perder momentos importantes e ter um sentimento de estar longe e ausente. Significava sentir que se perdia o crescimento dos filhos e a vida da família.

Hoje, trabalhar noutro país significa estar fisicamente longe mas poder estar perto em momentos tão importantes como o jantar. Essa distância conseguiu encurtar-se, graças à tecnologia, permitindo manter a presença nos momentos relevantes. A tecnologia permitiu construir pontes que encurtam as distâncias físicas.

No entanto, a tecnologia não deve substituir as interações humanas nas nossas relações mas deve ser encarada como um fertilizante que nos ajuda, nas situações em que essa interação não é possível.

Antigamente, ter responsabilidades fora do nosso país significava ter de mudar de casa, levar a família e viver um processo de mudança longo e duro, com muitos impactos e custos. Hoje, graças à tecnologia, é possível ter progressão de carreira, com responsabilidade internacional, mantendo a estabilidade familiar e evitando os custos inerentes a uma alteração física de toda a família.

Esta nova realidade do trabalho remoto tem permitido, de igual forma, a democratização do talento, ao dar acesso a oportunidades independentemente da sua localização. Assim, não ficamos restringidos pelo desenvolvimento económico da cidade onde vivemos, podendo trabalhar remotamente para outras empresas localizadas noutras cidades ou mesmo noutros países. Claro que esta é ainda uma tendência emergente e não possível em todas as realidades, porém, à medida que o talento for exigindo esta flexibilidade e esta possibilidade de trabalho remoto, as empresas terão de adaptar as suas práticas de recursos humanos para conseguirem atrair e reter os melhores colaboradores.

Por outro lado, as novas gerações centram as suas vidas em redor do vídeo. As suas comunicações, o seu entretenimento, as suas “leituras”. Os vblogs nunca tiveram tanta audiência, bem como os vídeos sobre os mais variados temas. Eles valorizam bastante a comunicação recorrendo a texto ou a vídeo, o que ajuda à aproximação em casos de trabalho e relações remotas.

O fator humano nunca foi tão importante como hoje. E a unidade familiar também nunca foi tão importante para a estabilidade das pessoas, para dar rumo aos jovens, para lhes dar um terreno seguro num mundo tão instável, tão em constante mutação, onde tão frequentemente vemos os valores básicos serem questionados. A tecnologia permite fertilizar a unidade familiar nos momentos de distância física, enquanto nos abre a oportunidades de um mundo que antes estava vedado por essa mesma distância.

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