Cristina Amaro
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Cheguei aos 50 | Dos 20 aos 30

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A vida

Cheguei aos 50 | Dos 20 aos 30

Cheguei aos 50 | Dos 20 aos 30

Por Cristina Amaro

Dos 20 aos 30.

A grande mudança. Os tempos da faculdade e de formação complementar. Do Master e da Pós Graduação. Dos cursos do Cenjor e da entrada no jornalismo. Do começo de uma carreira na publicidade, que durou pouco e que rapidamente se fez substituir pelo jornalismo especializado na área de formação: o marketing, a publicidade e a gestão de imagem. Os tempos que me viram apaixonar pelo jornalismo de revistas e onde a editora Abril, em São Paulo, teve grande influência. Os tempos que me levaram a entregar o coração. Ao amor. Ao trabalho. À revista Exame, que ainda hoje me faz sentir orgulhosa por ter pertencido à sua equipa.

Cheguei aos 50 | Dos 20 aos 30

A época do encontro comigo mesma, da auto-confiança e do auto-conhecimento. Das paixões e das desilusões. Do primeiro casamento e do primeiro bebé que perdi dos dois que não quiseram nascer. De ver partir o irmão que me acompanhou desde os seus dois aninhos. Cedo demais. Para mim, para nós. E da partida da única avó que conheci, a avó Emília, que se orgulhava do marido nunca lhe ter visto as roupas brancas!! – “Valha-me Deus…não sabes o que perdeste avó!”, dizia-lhe eu. Zangava-se e virava a cara perguntando se era melhor ver-se o que se via nas novelas brasileiras da época. Que não me deixava pisar uvas quando estava menstruada porque azedava o vinho. E que chamava por todos os netos antes de chegar ao nome que queria.Teria hoje mais de um século.

Cheguei aos 50 | Dos 20 aos 30

Uma época em que se perderam as primeiras grandes recordações de infância. Em que se perderam referências. A época de muitas coisas menos boas, mas também de muitas que ainda hoje existem na minha vida. A época que me trouxe de vez para a minha cidade Natal, onde sempre pertenci, mas que hoje me deixa saudades da aldeia, pela tamanha agitação que traz ao dia a dia. A época das viagens ao estrangeiro e do começo de uma nova vida. A época das descobertas.

Estes foram tempos em que tudo começou a ser o que eu gostava que fosse. Tempos da minha primeira casa e do meu primeiro carro. De aprender a ouvir e a respeitar a minha intuição. A época em que descobri pessoas que ainda fazem parte da minha vida. Mas também de alguns desencontros. Da substituição das noites de discotecas pelo prazer de estar em casa e pelas noites de estudo antes do sol nascer (sempre gostei de deitar cedo e levantar com as galinhas! É a minha melhor hora de criatividade). De ter pela primeira vez uma gata e de a ver ser infeliz a viver num apartamento e que, por isso, mais tarde, foi viver para casa dos meus pais onde esteve por longos anos. Chamava-se boneca. E era!

A época em que vi completar o ciclo de nascimento dos 4 sobrinhos. Em que dei aulas a professores na experiência de formadora de informática. A década que mais me marcou, que mais me fez olhar para dentro. Em que perdi o medo e me aventurei. Em que optei por trocar um emprego certo por um incerto. O momento em que decidi criar o meu próprio caminho. O menos percorrido.

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