Cristina Amaro
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Cheguei aos 50 | Dos 10 aos 20

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A vida

Cheguei aos 50 | Dos 10 aos 20

Cheguei aos 50 |Dos 10 aos 20

Por Cristina Amaro

Dos 10 aos 20

Dificuldades. Tantas que não cabem aqui. Tamanhas que quis deixar no fundo do baú para que no cimo estivessem apenas os melhores momentos. Momentos que não deixei que roubassem o meu sorriso. O que sempre me acompanhou.

Uma adolescência que fez de mim a mulher resiliente que sou hoje. A pessoa destemida e que persegue o sim por já ter o não. A profissional que arregaça as mangas e que corre atrás dos sonhos. Que leva os outros consigo por ter aprendido a acreditar que tudo o que queremos pode ser possível, desde que se queira muito e que seja alcançável. A jovem que aprendeu a sonhar. Que enfrentou as adversidades com a coragem que ainda hoje guarda em si. A menina da aldeia que sonhou com a cidade. A mana “quiduxa” que cresceu com a proteção dos manos mais velhos. Que sempre viveu rodeada de amigos com quem se divertiu à séria. Que não perdia uma noite na discoteca e que dançava até nascer o sol.

A menina que sonhava ir para a faculdade mas que teve de trabalhar antes de lá entrar pela fase difícil da vida dos seus pais. Que trabalhava e estudava ao mesmo tempo para poder ter o mínimo de que precisava. A jovem mulher que teve de crescer a pulso. Sozinha. Que chorou tantas vezes em silêncio. A que nunca quis desistir e que viu a sua força trazê-la de volta a Lisboa, cidade onde nasceu, para começar a construir a vida que sempre quis. Onde a cor das luzes ganhava ao escuro dos campos, quando anoitecia e o dinamismo da cidade lhe dava a energia que não tinha na pequena aldeia.

Cheguei aos 50 |Dos 10 aos 20

Os anos em que o mundo se abriu e onde me abri para o mundo numa época em que vir do campo para a cidade era como ir morar para Londres ou Nova Iorque. A época das marcas que desejava ter não estarem ao meu alcance e que me fez desejá-las ainda mais e apaixonar pelas suas histórias. A época em que as histórias me apaixonaram. E o único amor da adolescência também. Aquele que guardamos para sempre como especial.

Cheguei aos 50 |Dos 10 aos 20

Dos 10 aos 20 passaram por mim doenças inesperadas que me fragilizaram e conquistas que me fortaleceram. Perdas de pessoas que me fizeram dar mais valor ao que mais importa – a vida. Os sentimentos. As emoções. Amizades profundas que recordamos para sempre. Aprendizagens que nos fazem crescer. Dos 10 aos 20 senti os pés molhados tantas e tantas vezes por ter botas que já precisavam de reforma, andei a pé mais do que qualquer amigo por ainda não ter carta de condução. Defini as minhas prioridades para as conquistar. Comecei a correr atrás dos sonhos. Sem nunca esquecer quem merecia não ser esquecido. Lutei por uma vida melhor, que hoje a maioria dos pais consegue oferecer aos seus filhos, e por ser uma pessoa melhor. E consegui. Passo a passo. Com mais dor mas sem nunca deixar de respeitar os outros. E a mim. A minha dignidade.

Quando o caminho mais fácil era desistir eu lutei. E venci passando para outra fase da minha vida com a força que já vinha da infância.

Cheguei aos 50 |Dos 10 aos 20

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