Cristina Amaro
Está a ler

CHEERS! À amizade!!

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As pessoas

CHEERS! À amizade!!

Todos os meus textos são para ler devagar. Os que respeitam a regra dos 3 c´s (claros, curtos e concisos) ficam para televisão. Aqui gosto de libertar as palavras. É o lado bom do digital. E de ter tempo, também. Este não foge à regra e é parcialmente dedicado a um grupo de amigos que se conheceu em 1989. Faz agora 30 anos. Faltam aqui todos, excepto aquele com quem me encontrei há dias no Algarve. Mas faltas essencialmente tu, Ana Mafalda, que és muito a alma de tudo isto. E tu também Fernando. Ah, e faltaste tu, Paulo. Pena o telefonema em cima da hora não te ter conseguido libertar a agenda. Continua a ser, para todos nós, a falta de tempo aquilo que mais nos afasta. Mas quando nos encontramos tantas histórias há para contar…

“De que falam dois amigos que não se veem há 30 anos?”. Confidenciava-me o Luís que o tinha pensado a caminho do nosso encontro. Eu não me lembro de ter tido o mesmo pensamento antes dele chegar. Mas o que é certo é que, até ao último minuto do nosso reencontro, nenhum de nós ficou sem assunto. 

Falámos de tudo como se não nos víssemos desde ontem. Foi um regresso ao passado cheio de boas recordações. Mas também foi uma viagem ao presente. Com o que somos e fazemos hoje. Um encontro entre duas pessoas que têm vida dentro de si. E que gostam da vida que têm. 

Luís Alberto é o nome do amigo que reencontrei há dias neste meu #coolstandby no Algarve. As redes sociais têm estas vantagens. Permitem-nos, num estalar de dedos, marcar um jantar de um dia para o outro e cruzarmo-nos com quem há tanto não encontrávamos. Nem sequer tínhamos o número de telefone.

“Estou no teu concelho”, dizia-lhe eu no Instagram. “Vamos marcar um encontro?” Respondeu rápido e prometeu-me uma visita guiada à sua terra. 

Luís conhece o concelho de Lagoa como a palma da sua mão. Não estivesse ele ligado à autarquia local. Foi presidente da Junta de freguesia de Ferragudo até há bem pouco tempo. Sabe onde e quando se pode ir, a que lugares, e fez um roteiro na sua cabeça para me levar a alguns dos pontos chave.

Dizia-me de vez em quando, “ainda temos tempo de ir a outro sítio antes do pôr do sol”. Ele fazia questão de estar à hora certa no Sítio das Fontes. Onde em julho se ouvem os sons do Festival de Jazz e onde, segundo ele, encontramos o pôr do sol mais bonito do Algarve. 

WOW! Saiu-me quando registei a fotografia. É o outro Algarve. O que se estende para lá das praias e das falésias. O que se cruza com a natureza do interior, já a olhar para a serra. O Algarve da natureza que agora quer ser promovido pela Região de Turismo.

Vários outros lugares permitiram-me fazer uma das coisas que mais gosto, fotografar. Com tempo. E que bem me soube passar na Praia da Marinha para ver um dos trilhos dos 7 Vales Suspensos, recentemente distinguidos como os mais bonitos da Europa; entrar no Algarve profundo, das açoteias que já quase não se encontram e dos muros de pedra nos caminhos. Conhecer o Cais do Calhau, na Mexilhoeira onde nunca tinha estado e voltar a Estômbar onde não ia desde infância…  

Foi uma viagem de recordações. Desde a minha infância, época em que vinha de férias para Patacão com os meus pais e todos os dias visitávamos uma praia diferente – de Sagres a Vila Real de St António – até ao final dos anos 80, década em que eu e o Luís Alberto nos conhecemos. 

Quando entrei em Ferragudo houve paragem obrigatória. A vila onde nunca mais tinha estado depois das férias de verão de 1989. As férias que reuniram um grupo de amigos de Lisboa na terra do Luís e que por isso, para ele, também tiveram um significado especial. 

Foi bom regressar. Recordar as brincadeiras. As maluqueiras, sim…muitas fizemos na época…e ainda bem porque hoje nos fazem rir e brindar com um bom vinho! Coisa que na altura não sabíamos apreciar…tínhamos preferências mais fáceis para as papilas dos 18 anos. 

Tempos que revisitámos durante o jantar, acompanhados por um maravilhoso robalo algarvio, grelhado au point no restaurante da Praia dos Caneiros e por uma pavlova que me fez esquecer por um momento os dias de detox. 

Tempos que nos fizeram rir dos Amstrad das disquetes de 5 e 1/4 polegadas, os primeiros computadores pessoais. “Outros tempos”, dizíamos nós a rir de um passado que parece arcaico nos dias hoje. 

Rimo-nos das aulas que demos como jovens formadores de informática da Inforjovem em que ensinámos milhares pelo país a introduzirem-se na linguagem informática…como era tudo tão diferente!

Fizemos orgulhosamente parte dos primeiros jovens formados em informática. Eu cheguei a dar aulas de manhã a professores que me davam aulas à tarde. A vizinhos. A amigos, mais jovens e mais velhos do que eu. 

Outros tempos em que o email ainda não existia e ainda se falava por fax!

Tantas histórias que esta centena de jovens guarda hoje no coração e que ainda nos faz encontrar 30 anos depois. Não foi caso único o nosso encontro. Repetidas vezes este grupo, graças às redes sociais que nos permitiram reencontrar, se volta a juntar para matar saudades.

Se fosse hoje talvez a união não fosse tão forte. Naquela altura tudo era mais intenso. E pouco havia, espalhado pelo país, que pudesse oferecer experiências tão grandiosas como na capital. 

Para muitos foi a oportunidade de conhecer Lisboa. De viver em Lisboa. De sentir a azáfama da cidade quando os caminhos que percorriam apenas tinham campos ou animais. Lugares pequenos que agora procuramos para descansar, onde o tempo, hoje, parece ser mais lento e tão mais importante para quem tem mentes cheias de tudo…mas que na época, para nós jovens, era demasiado pouco!

Tudo mudou em 30 anos. E que bom que assim é. Mas muitas dessas amizades ficaram. E talvez fiquem para sempre. 

Voltar a Ferragudo não foi uma visita rápida mas sim uma viagem de três décadas. Voltar a estar com quem não vemos há tanto e que tanto tem para contar, é sentirmo-nos vivos e mais ricos de tantas vivências que os 30 anos que nos separaram nos permitiram recuperar. 

Cheers, Luís e a todos os amigos do curso de Formação de Formadores de Informática Inforjovem 89, que ainda hoje se cruzam. Cheers à vida e à amizade porque na verdade isto é mesmo o que temos de fazer melhor: viver e celebrar!

Apaixonam-me as amizades antigas…

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