Cristina Amaro
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Autoconhecimento: Qual é o meu lugar?

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A vida

Autoconhecimento: Qual é o meu lugar?

Conhecimento interior: Qual é o meu lugar?

Por Leticia Ottomani

Ao imigrante costuma-se perguntar por que veio?

Ao peregrino, andarilho de um caminho de intenções, a pergunta que lhe chega é sobre o destino dos seus passos.

O que será que chama a atenção no trajeto destas personagens?

Será que é o impulso do seu voo, a coragem de trilhar, ou a curiosidade é sobre o movimento que se vê nas suas histórias? 

Quando peregrina não demorei a perceber o peso que havia nas costas, compreendi primeiro os excessos que guardava na mochila.

Vai mesmo carregar?

Tirei cachecol, corta-unhas e todo miligrama que saia, trazia uma esperança de leveza.

Não bastou. Poucos quilómetros à frente e ainda pesava, e era um peso que mesmo nua eu podia sentir, um aperto que fazia pressão sobre a pele.

Caminhar colocava-me em contato com a paisagem “mundo afora” e “mundo adentro”. E enquanto o meu corpo respondia à necessidade de escalar montanhas, enfrentar ventanias e longas horas de passos constantes, internamente não era diferente. Se o suor registava o esforço físico, as lágrimas aguavam a minha terra árida, os encontros margeavam a fronteira deste peregrinar, um lugar onde se sabe que mesmo sozinha não estamos sós, que logo à frente haverá um abrigo e lá pode haver pessoas que estão como nós, no caminho.

Era leveza que eu então procurava e haveria de ter que reconhecer os meus pesos.

Quem é você que carrega a mochila e este corpo?

Na mochila estão coisas. E o que traz o corpo?

Pele, cabeça, coração, sexo, mãos…

Memorias, sonhos, frustrações, realizações e quanto mais?

Consciência, alma…existe uma essência que resiste ao que vive?

Peregrina quero saber quem sou quando tudo é passageiro.

Imigrante continuo a perguntar-me, já sabendo que não há uma única resposta possível e a arte de escutar é feita de um músculo que se treina para fortalecer.

Imigrante ou não, qual é o meu lugar?

Habitar-me foi meu primeiro lugar de pertencimento.

Nenhum espaço seria casa enquanto eu fosse estrangeira dos meus próprios contornos. 

Trilhar cómodo por cómodo, reconhecer territórios, adentrar no percurso da minha trajetória e reconhecer o que ocupa os meus pensamentos, emoções, sentimentos, formas de me relacionar, as defesas e os ataques de um comportamento repetido, o que eu guardava, o que escondia, o que ainda nem sabia que existia.

Quem sou eu é uma pergunta que nunca cessa e quase nunca a resposta é o mais importante, mas perguntar abre caminhos no ser de quem tem vontade de escutar. 

E para finalizar quero dizer-lhe:

Ouse peregrinar as suas terras e descobrir novos lugares.

O seu mundo interno é mais vasto que o oceano.

Muitos já foram orientados pelas estrelas para descobrir além mar, agora parece-me que talvez seja a hora de ver por onde a estrela guia a sua embarcação em terra, no seu movimento e em tudo aquilo que cabe ao viver.

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