Cristina Amaro
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Atrasei-me e está tudo bem

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As pessoas

Atrasei-me e está tudo bem

Atrasei-me e está tudo bem

Por César Ferreira

São exatamente duas e meia da manhã. Estou atrasado para entregar este e outros textos, atrasado para responder a mensagens de clientes, atrasado para ir ao ginásio, atrasado para contar a história de boa noite ao meu filho que entretanto já adormeceu, atrasado para pensar com clareza acerca dos problemas, atrasado para ter tempo para mim. Até me admiro como é que não me atraso para respirar. Ah, pois! Se o fizer não vivo. Mas na verdade, que raio de vida é esta quando não se vive no tempo que se tem?

Sou até uma pessoa organizada. Como pode uma pessoa organizada se atrasar tanto? Certamente não será uma questão de tempo cronológico, mas de timing interno e de opções.

Por mais que tente afirmar que não tenho tempo, sei que não é verdade. Sinto que me desrespeito quando me vitimizo com a questão da suposta falta de tempo. Apercebo-me de que a vida passa depressa quando me julgo pelo que não fiz. Curioso como nos agarramos mais ao que não temos.

Quanto mais viciado fico em dar o melhor de mim, mais expectativa e ansiedade crio. E assim mais me atraso. Será que é assim tão importante focarmo-nos apenas no nosso melhor? Será que esta obsessão não representa um processo de fuga para não lidarmos com o que temos de lidar de verdade? Com as nossas escolhas?

Um atraso não significa nada, a não ser que façamos de tudo e conscientemente para nos atrasarmos. Somos mestres na invenção de desculpas. Tudo serve para não termos de escolher entre uma coisa e outra. Pois existe o ter de assumir a responsabilidade quer pela escolha, quer pela não escolha.

Se pensar bem, são raros os atrasos que são fatais. A sua vida não depende dos seus atrasos. Mas a vida depende de você. Talvez se relativizar as situações chegará à conclusão de que, se baixar as defesas, tudo começará a fluir melhor e deixará de se preocupar tanto com o que ainda está por fazer.

Não estou a dizer-lhe para se atrasar, mas apenas a sugerir-lhe que seja mais seletiva e que dê outro significado aos seus atrasos. Estes são chamadas de atenção. A gestão do nosso tempo depende da pertinência e da seletividade das tarefas que temos a realizar. Nem tudo tem de ser exequível numa unidade de tempo. Não se ponha a jeito para dizer “sim” quando já não possui mais tempo. Não se atreva a colocar a si mesma no alvo da exaustão.

Se lhe pudesse dar uma sugestão ao ouvido dir-lhe-ia: seja mais seletiva e respeite-se mais.

Atrasei-me e está tudo bem

Chegar atrasado às coisas não me define enquanto pessoa, pois isto é apenas um comportamento. E os comportamentos alteram-se. Contudo, isto permite-me aprender a fazer melhores escolhas e a aceitar que tudo tem uma medida. Não faz sentido exigirmos de nós próprios o que nos ultrapassa de momento. Temos de aprender a enquadrar mais a impossibilidade nas nossas vidas.

Por momentos lembro-me de que, supostamente, devia sugerir-lhe um livro sobre gestão de tempo. Mas vou fazer exatamente o contrário. Vou indicar-lhe uma leitura que a faça, enquanto pessoa, respeitar-se a si mesma. Considero que a “mania” de querer fazer tudo e de tudo de forma obsessiva nada mais é do que uma fuga à Houdini do seu próprio eu.

“Maravilhosamente imperfeito, escandalosamente feliz” de Walter Riso é daqueles livros que temos de ler, pelo menos, uma vez na vida. Uma leitura fundamental para quem exige muito de si mesmo e tem dificuldades em encontrar o equilíbrio no dia-a-dia. Com uma linguagem muito interessante e acessível, o autor revela as verdadeiras causas que a podem estar a impedir de viver em felicidade. Só isto, vale a sua leitura.

Se porventura estiver atrasada por causa da leitura deste artigo ou mesmo do livro que recomendei, lembre-se de que o mundo não irá acabar. Como afirmava Jim Rohn “o livro que você não ler não vai ajudar”.

Desejo-lhe momentos inspiradores.

Boas Leituras,

César Ferreira

César Ferreira

Mentor para a Aprendizagem, Mentor de Autor e Biblioterapeuta

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