ALINHAMENTOS astrais

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março
11
Conhecer os convidados

Por Fernando Oliveira

Só aqui, em Moçambique, nesta terra tão terra-a-terra e tão mística ao mesmo tempo, é que os astros por vezes se alinham com tanta clareza, brilhando em maravilhosas improbabilidades.

Estamos a trabalhar numa campanha publicitária, provavelmente a mais bonita da minha carreira, aquela de que mais orgulho terei quando os netos quiserem saber o que terei feito de útil.

Aliás, pensando bem, ando há 25 anos nisto, é capaz de ser tempo demais, mas é uma bênção ter a renovação da família de memórias com um filho tão bonito.

A equipa está empenhadíssima, e está a pôr todo o sentimento e toda a alma na campanha.

Estamos, de manhã, a olhar para o storyboard, que inclui um poema. Amanhã, a agência sai para produção, mas não nos sentimos muito confortáveis com alguns pormenores do poema.

Decidimos que isto merece um profissional.

Ligamos para um grande amigo da marca, por sinal um Prémio Camões e figura da literatura mundial, pedimos-lhe se, por acaso, teria um pouco para nos atender. Que sim, claro, já a seguir.

E estivemos a rever textos com um “monstro” da literatura, não com a atitude de “façam assim”, mas efetivamente a colaborar, a ouvir, a sugerir, a aceitar umas e a corrigir outras. Chegado ao fim, ouvi “se mudarmos mais alguma coisa, estragamos”. E, do princípio ao fim, com uma humildade, uma simplicidade e uma transparência que definem os grandes Homens. Completamente voluntário, apenas para ajudar porque “gosta de nós”.

Parafraseando um outro amigo, há marcas que inspiram, outras que expiram (e, diria eu, muitas que transpiram). E há relações assim, que inspiram e que nos deixam melhores do que antes.

Dizia o Sérgio Godinho “... é que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há”...

Kanimambo, Mia Couto!

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