Cristina Amaro
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ABSTENÇÃO dos jovens? A culpa é dos adultos!

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As marcas

ABSTENÇÃO dos jovens? A culpa é dos adultos!

Somos todos muito críticos, e adoramos dizer o que pensamos, principalmente quando é algo que não é sobre nós. E foi isso que li ao longo desta última semana, críticas vindas de toda a parte, de todos os sexos, países, faixas etárias. Concordei com algumas, e com outras não me identifiquei, porém acho que faltou uma crítica que não fosse dirigida aos jovens, faltou uma crítica direcionada a quem nos criou, educou e ensinou.

Nós, jovens, não fomos criados numa época de ditadura, e não recebemos o direito ao voto após uma ditadura, onde tudo aquilo que se queria era votar e exprimir-se. Mas vocês, adultos de hoje, aprenderam muito claramente a responsabilidade que é ir votar, tivessem crescido no campo ou na cidade, pouco ou muito educados, todos vocês sabem a importância do voto. E mesmo assim nem todos foram votar, mesmo assim preferiram ficar na praia, na piscina, no sofá, no jogo de futebol, vocês lá sabem as vossas razões.

Se houve jovens que não votaram, foi culpa dos adultos. Seja dos pais, dos professores, dos ministros, dos candidatos, ou até do Governo português. Se acham que nós, jovens, não seguimos o exemplo do que vemos em casa, estão muito enganados. Nós, jovens, somos o produto da sociedade, que é principalmente moldada por adultos, e, por isso, se os professores das escolas ou das universidades não nos incentivam a votar, não estejam à espera de que uma grande maioria dos jovens decida votar. Se não se fala de política em casa, não esperem que os vossos filhos decidam votar, ou tenham curiosidade suficiente para irem ler os programas. Não pensem que vão ter conversas sobre política com os amigos no café, pois nada ou pouco sabem sobre o assunto.

A minha principal dúvida é porque é que num país como o nosso, que precisa de mudança, onde só se fala de desenvolvimento, de como temos este espírito do mundialismo, de como fomos a pátria mais forte do mundo durante as Descobertas, ninguém se preocupa em educar decentemente o futuro deste país, e ficam-se todos nas críticas. Porque é que já não se veem pais com crianças nos jardins da Gulbenkian ou em Serralves? Como é que querem que a juventude queira votar se não há nada nas redes sociais que a informe sobre os candidatos e os seus programas? Acham que os jovens vão sentar-se a frente da televisão três horas por dia durante uma semana apenas para ver três políticos a gritarem uns com os outros? Nonsense! Está na moda dizer que é preciso adaptarmo-nos ao futuro, e que o desenvolvimento é o grito do momento, mas não o praticam. Deviam postar vídeos no YouTube, criar quizzes no Instagram e páginas informativas ou até aplicações, pois os adolescentes não têm tempo, ou não querem ter. Estamos no mundo digital, não no mundo dos jornais e da rádio, percebam isso.

Claramente a culpa também é nossa, pois uma grande maioria também preferiu os sofás, a praia, e optou por não votar. Deixando assim as estatísticas decidirem o futuro de Portugal, da União Europeia e do mundo. Não é normal haver uma percentagem tão grande de abstenção, mas também não é normal as culpas caírem todas nos jovens.

Ainda vamos a tempo de mudar o futuro deste país, pois se volta a acontecer o que aconteceu nas eleições europeias, isto pode correr muito mal nas legislativas. Por isso, pais, professores, adultos em geral, peço-vos que incentivem os jovens a votar, que lhes falem sobre a importância do voto, e de como um voto pode marcar a diferença. E, jovens, votem como se manifestaram quando se aperceberam de que o mundo está a acabar, façam mais uma vez a diferença.

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