Cristina Amaro
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A juventude de hoje em dia

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As pessoas

A juventude de hoje em dia

Vivemos num mundo em que tudo se encontra a um clique de nós. Um mundo no qual uma grande parte dos “amigos” não passa de números nas redes sociais, e os namoros não passam de fotografias, vídeos e hashtags. E nós, jovens, acabamos por ser um produto deste mundo otimizado, altamente tecnológico e bastante complexo, e por isso mesmo somos extremamente criticados pelos comportamentos que temos, por aquilo que dizem que pensamos, somos ou queremos. Porém, aqui vai uma mensagem para aqueles que pensam que a juventude de hoje em dia é menos capaz do que a do século passado.

A juventude de hoje em dia encontra-se numa fase de descoberta. De facto, uma grande maioria não sabe para onde ir ou quem é. São jovens que fazem aquilo que não devem, ouvem o que não podem, falam do que não sabem, pensam em coisas impensáveis, criticam sem refletir, e não aprendem o que deviam.

A juventude de hoje em dia não ama como se deve amar. Os jovens amam para as redes sociais e são amados por estas mesmas redes. Quando oferecem presentes uns aos outros, fazem questão de publicar tudo, e assim os momentos íntimos passam a ser públicos. Não se vê hoje em dia um rapaz com um bouquet de flores, de manhã, à porta de casa de uma rapariga, como se devia ver; mas, infelizmente, vê-se um rapaz com um pacote de preservativos, à noite, à porta de casa de uma rapariga, e assim o amar passa de sentimental a carnal. O amor desta juventude é em parte diferente. Os jovens acabam por aprender com todos os seus erros, e deixam toda esta futilidade para trás, e começam a amar com o coração e não com as suas contas das redes sociais. Aprendem não só a amar os outros, mas também começam a amar-se, com todo o seu coração, perdem qualquer tipo de revolta interior, e não deixam nada por dizer ou ser feito, como muitos adultos se queixam hoje em dia.

A juventude de hoje em dia ouve música que não passa de puro barulho. Reúne-se em grupos para ir a festivais e discotecas mainstream, onde ouve a mesma música que passa nas rádios banais, onde se repete vezes sem conta a mesma coisa de maneiras diferentes. Músicas estas que não passam de beats e drops, que os jovens aproveitam para saltar ou dançar com raparigas ou rapazes que vão servir para uma one night stand e depois vão para o lixo, tal como os preservativos, descartáveis. Porém, ao fazerem isso, experimentam tudo aquilo que querem, vivem todas as experiências que a vida lhes deu, e mais tarde sorriem ao lembrarem-se de todas as aventuras que tiveram. Certamente arrependem-se de algumas, mas não é por isso que se deve rebaixá-los. Pois eles, mais uma vez, viveram e aprenderam com aquilo que fizeram, e têm noção das consequências das suas ações, e se não têm, sabemos de quem é a culpa.

A juventude de hoje em dia não sente e não faz sentir. Os jovens vivem num mundo onde preferem saber o que se faz do que fazerem eles mesmos. Não sabem o que é sentir saudades, porque a única vez que dizem “saudades” é por mensagem, de forma abreviada, e não passa de uma mentira. Nunca sentiram nervosismo ao falar com alguém, pois também não amam. Não são capazes de dizer à família que não viveriam sem ela, que não seriam ninguém sem os seus pais, irmãos, avós, primos e tios, que tanto lhes ensinaram, mas que de pouco serviu. Também nunca sentiram um vazio dentro deles, e se sentiram algum tipo de vazio, era fome ou falta de álcool. São, como disse, uma juventude que ainda não se encontrou, não sabe por onde tem de ir e não sabe qual é o seu propósito. Mas, no dia em que tiverem de sentir saudades, vão dizê-lo com todo o coração, até não conseguirem aguentar mais; vão dizer a toda a família o quão importante é para ele ou ela. Tudo demora, principalmente hoje em dia, onde tudo é feito mais tarde e com mais calma.

A juventude de hoje em dia não sabe pensar antes de agir, age e só depois pensa. Muitos jovens saem magoados por causa destas ações improvisadas. E, por vezes, pensam demais e acabam por não agir. Estes jovens, que seguem tendências e padrões, acabam por ser todos iguais, e por isso as suas ações não variam muito. Ficam bêbados juntos, divertem-se juntos, festejam juntos, riem juntos; mas sofrem individualmente, sem ajudas, poucos são aqueles que gostam dos seus amigos e tentam ajudá-los. Mas aqueles que o fazem acabam por abrir a mente de todos os que nunca pensariam que outros fariam isso por eles, o que acaba por criar uma reação em cadeia, e acabam por se ajudar uns aos outros.

A juventude de hoje em dia tem amizades diferentes, acaba por ter mais amigos, mas quantidade não quer dizer qualidade, e por isso tem de ter cuidado. Mesmo assim, os jovens continuam a ter os amigos de eleição, aqueles que sabem tudo e que acabam por ser como a família. Certamente não vão guardar todos os amigos, mas vão com certeza lembrar-se de todos os momentos que tiveram com essas pessoas a quem chamaram amigos, e das quais tiraram conclusões.

A juventude de hoje em dia é mais forte, pois vive um pouco de todas as guerras do mundo, pode não participar nelas, mas vê todos os dias fotografias chocantes de crianças e bebés sem pernas, braços ou família, refugiados sem direitos e sem casa, pessoas em África sem água nem comida. Esta juventude cresce com as atrocidades que vocês, adultos, veem como algo banal, pois é isso que os média fazem delas. Acabam assim por ser pessoas mais fortes e mais sensíveis a estes assuntos.

A juventude de hoje em dia é diferente. Foi criada e cresceu num mundo completamente diferente ao anterior, e por isso tem uma visão diferente. Os jovens sentem mais a necessidade de ser conhecidos e de conhecerem, sentem a necessidade de estar mais abertos ao mundo e àquilo que ele tem para lhes oferecer. É uma juventude como qualquer outra, perdida no meio de tanta informação, e merece tanto respeito e tantas oportunidades como qualquer outra. Os jovens são bastante corajosos, decidem estudar fora, viver sozinhos, viajar só com amigos, começar a trabalhar enquanto estudam, entre outras atitudes dignas de um adulto maduro. E, por isso, antes de dizer mal da juventude que está a crescer, pense, reflita e, acima de tudo, tente conversar com alguém dessa juventude, tente perceber o que pensam estes jovens e quais são as suas opiniões.

João Maria Jorge é estudante no Lycée Français Charles Lepierre, em Lisboa.

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