Cristina Amaro
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A economia da atenção

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As marcas

A economia da atenção

A economia da atenção

Era dia de fecho dos pivots do próximo programa do Imagens de Marca. Em conversa com a Ana Gaboleiro, jornalista responsável pela emissão de fecho desta semana, quis perceber melhor a ideia relativa à economia da atenção. Explicou-me que o conceito foi referido por António Mexia, CEO da EDP, durante os encontros internos do Grupo (que a própria acompanhou). Desafiei-a a explicar-vos o que é isto da economia da atenção e o que significa para uma organização. Convido-vos a refletir sobre o tema!

Por Ana Gaboleiro

“O alinhamento das equipas hoje é uma questão fundamental. A compreensão da complexidade do mundo tem de ser partilhada para que todos nós nos comportemos da forma que nos é exigida”. Foi assim que António Mexia, CEO do Grupo EDP, começou a sua intervenção numa das maiores salas de espetáculos do país, o Altice Arena, em Lisboa. Quis falar aos mais de 6 mil colaboradores que durante dois dias tiveram a oportunidade de conhecer os desafios e os planos de futuro da companhia para a próxima década.

Eu estive lá. Presenciei a forma como o presidente da elétrica quis deixar claro que as empresas já não têm só de gerir ativos. O mundo está frenético. Continuam a surgir novas gerações, consumidores que apelam por novos valores, talentos que exigem trabalhar em organizações com propósitos e missões. As empresas do agora têm de lidar com uma nova gestão: a gestão da transformação.

“Vivemos na economia da atenção”, explica. “Porque só prestamos atenção àquilo que tem o poder de nos emocionar, atrair, envolver”. O que António Mexia quis dizer é que liderar hoje uma empresa também é isto: ser capaz de unir equipas, de atrair novos talentos, de envolver acionistas e diferentes stakeholders. É deste trabalho que nasce a emoção que tanto se quer provocar no consumidor. De dentro para fora. Começando “in house”. Porque o melhor stakeholder de uma empresa são os seus colaboradores.

E porquê? Porque vivemos na era do escrutínio. Sabemos tudo de toda a gente, a qualquer hora, a todo o momento. E, muitas vezes, quando não se sabe inventa-se. E é nesta era que vivem as organizações. É nesta era que se tem de gerir equipas.

O presidente de uma companhia que já vale cerca de 16 biliões de euros dava um exemplo do que é hoje o desafio da EDP: “Quanto tempo leva um carro de Fórmula 1 a mudar as rodas quando vai às boxes? Menos de 2 segundos. Nas empresas, muitas vezes, o carro nem chega a parar para mudar as rodas”.

O mundo gira a uma velocidade louca. E nesta corrida só chegam à meta as empresas que correm à mesma velocidade, só ganha quem consegue ir ainda mais depressa. As que não mudam correm o risco de nem chegar à boxe.

É esta compreensão da complexidade do mundo que é urgente ser partilhada com os que todos os dias estão nos bastidores de uma organização. Já não podem existir silos dentro das companhias. Hoje há “open spaces” de mentalidades, de diversidade, de horizontes.

Mas não há que ter medo deste mundo novo. São os novos “loucos” anos 20. Uma década que se prevê de grandes mudanças. Mas é também um momento único para nós e também um momento emocionante para as empresas. É o “agora ou nunca”. Não há mais tempo a perder. E já o dissemos aqui várias vezes: o tempo é hoje o maior recurso deste século. O bem mais precioso, o luxo que só alguns podem ter.

A atenção, ao contrário dos outros bens, é finita. Mas a sua finitude parece ter limites. Já Herbert Simon, famoso economista americano, no século XX, dizia que “a riqueza de informação cria pobreza de atenção”.

A economia da atenção gira em torno do momento atual em que vivemos. E a verdade é que hoje os planos de futuro de uma organização já não se constroem a pensar nos próximos 2, 5 ou 10 anos. Constroem-se todos os dias. E se for preciso alterar o rumo… então todos terão de remar no mesmo sentido. O que é hoje já não é amanhã. É assim agora, é assim que vai ser cada vez mais.

O mundo distingue quem consegue distinguir-se. Quem vai mais além. E enquanto está a ler este texto há quem diga que a economia da atenção já está a ser ultrapassada por outro tipo de economia: a da intenção – impulsionada pela intenção de consumo, onde as empresas podem e devem responder às intenções reais dos consumidores, em vez de simplesmente disputarem a sua atenção. Mesmo que isso implique uma alteração total na estrutura do negócio.

Fala-se muito do futuro todos os dias. Mas ninguém tem respostas concretas. Para já interessa saber o que é o agora. O futuro logo se vê. 

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